Corações sujos -

    Fernando Morais

    Companhia das Letras
    2011
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788535919370
    Português Brasileiro

    A história da Shindo Renmei, a seita nacionalista que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil após o fim da Segunda Guerra. Recusando-se a aceitar a notícia da rendição japonesa, a seita promoveu uma verdadeira caçada aos chamados "corações sujos", acusados de traição à pátria pelo crime de acreditar na verdade. A Shindo Renmei, ou "Liga do Caminho dos Súditos", nasceu em São Paulo após o fim da Segunda Guerra, em 1945. Para seus seguidores, a notícia da rendição japonesa não passava de uma fraude aliada. Como aceitar a derrota, se em 2600 anos o invencível Japão jamais perdera uma guerra? Em poucos meses a colônia nipônica, composta de mais de 200 mil imigrantes, estava irremediavelmente dividida: de um lado ficavam os kachigumi, os "vitoristas" da Shindo Renmei, apoiados por 80% da comunidade japonesa no Brasil. Do outro, os makegumi, ou "derrotistas", apelidados de "corações sujos" pelos militantes da seita. Militarista e seguidora cega das tradições de seu país, a Shindo Renmei declara guerra aos "corações sujos", acusados de traição à pátria pelo crime de acreditar na verdade. De janeiro de 1946 a fevereiro de 1947, os matadores da Shindo Renmei percorrem o Estado de São Paulo realizando atentados que levam à morte 23 imigrantes e deixam cerca de 150 feridos. Em um ano, mais de 30 mil suspeitos dos crimes são presos pelo DOPS, 381 são condenados e 80 são deportados para o Japão. Nesta sua volta à grande reportagem, Fernando Morais conta a história da seita nacionalista que aterrorizou a colônia japonesa no Brasil. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Reportagem

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    Clio06/02/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Fernando Morais, um jornalista bem conhecido por sua vertente historiográfica, faz um ótimo trabalho ao tentar reconstruir o período de pouco mais de dez anos de funcionamento da Shindo Renmei - uma organização de cunho supremacista japonês que atuou no Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial. O autor recheia o livro de depoimentos, relatos e fotos documentais. Também facilita a leitura ao dinamizar o texto que por si só já é bem específico. Há várias menções há figuras conhecidas como Getúlio Vargas e Ademar de Barros e outras mais específicas do noroeste paulista. Tem que se manter em mente que esse livro não é científico, ou seja, não há citações, definições de termos, e questionamentos de eixo temático como mentalidade, situação socioeconômica, influência cultural, disposição geográfica, etc. são apenas sugeridas ou passam ao largo. Isso não torna o texto pobre, Morais não se furta a fazer algumas observações como a influência política brasileira, racismo, xenofobia ou sexismo. Mas não é esse seu objetivo, a obra simplesmente prefere focar nas incoerências e no inusitado (do ponto de vista do autor) do movimento. Para quem não sabe, a História japonesa deve figurar como um pesadelo na mente de muitos historiadores, pois a mistura de mito, mentiras e omissões torna quase impossível o trabalho de recuperação de memória. Não quero de forma alguma dizer que não se pode encontrar isso em outros âmbitos de pesquisa, mas na cultura japonesa, a preservação da honra e o medo da vergonha superavam quase que qualquer possibilidade de um real trabalho historiográfico. Felizmente, isso tem aos poucos se modificado. Assim, a capacidade do jornalista de reconstruir algo com alguns relatos e material oficial deve ser especialmente apreciada.

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