A vegetariana -

    Han Kangi

    todaviap
    2024
    179 páginas
    5h 58m
    ISBN-13: 9788588808287
    Português Brasileiro

    <b>Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2024</b> A vegetariana, romance perturbador e único, tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea - e uma introdução à fecunda literatura produzida na Coreia do Sul.</b> ''...Eu tive um sonho'', diz Yeonghye, e desse sonho de sangue e escuros bosques nasce uma recusa vista como radical: deixar de comer, cozinhar e servir carne. É o primeiro estágio de um desapego em três atos, um caminho muito particular de transcendência destrutiva que parece infectar todos aqueles que estão próximos da protagonista. <i>A vegetariana</i> conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo. Narrado a três vozes, o romance apresenta o distanciamento progressivo da condição humana de uma mulher que decidiu deixar de ser aquilo que marido e família a pressionaram a ser a vida inteira. Este romance de Han Kang tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea. Uma história sobre rebelião, tabu, violência e erotismo escrita com a clareza atordoante das melhores e mais aterradoras fábulas. Esta tradução, diretamente do coreano, restitui o estranhamento da obra original.

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    Juliete Marçal picture
    Juliete Marçal17/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O distanciamento da própria condição humana.

    "Foi na madrugada seguinte que vi pela primeira vez o meu rosto na poça de sangue do celeiro." Ê incrível como "A Vegetariana" guarda tantas perturbações em uma narrativa tão curta! Esse livro vai narrar a história de uma mulher sul-coreana que se chama Yeonghye, que decide parar de comer carne e produtos de origem animal. Nessa história vamos saber o que acontece com a Yeonghye pelo ponto de vista de outros personagens, e não pela voz dela. O livro é dividido em três partes e cada uma delas é narrada por uma voz distinta. A primeira parte é narrada pelo marido de Yeonghye, e foca mais no comportamento da personagem em parar de comer carne e no estranhamento que isso causa à ele e à família. Na segunda parte, narrada pelo cunhado teremos um enredo relacionado ao erotismo e a última parte narrada pela irmã, - é a minha favorita, apesar de esperar algo mais do final -, vai trazer algumas informações da infância de Yeonghye, além de nos apresentar a personagem sob um olhar mais humanizado. Descobrimos que a personagem resolve parar de comer carne por causa dos seus sonhos. E isso é apenas o início de uma transformação da personagem que vai muito além da mudança de seus hábitos alimentares: ela está se livrando de amarras que ela teve a vida inteira e se distanciando da própria condição humana. "Eu tive um sonho..." O título é bem compatível com a visão limitada dos familiares sobre a personagem, que para eles o problema era apenas o fato de Yeonghye ter se tornado "a vegetariana", quando na verdade, as motivações que fizeram com que ela decidisse parar de comer carne não tem nenhuma relação àquelas que motivam normalmente outras pessoas a se tornarem vegetarianas. "Se ainda havia algo estranho nela, era o fato de continuar a não comer carne. Foi essa decisão - além de todos os seus comportamentos estranhos - o motivo do conflito com a família..." O que eu senti foi que a família usava o contexto do vegetarianismo para culpar todo o comportamento dela, não enxergando outras questões importantes que a levavam a ser quem ela é muito antes dos sonhos. Quando ela se torna vegetariana, ela deixa de ser a filha submissa, a esposa desinteressante e se torna um familiar estranho. O fato da personagem parar de comer carne, talvez seja, porque ela encontrou isso como uma forma de rejeitar o sufocamento e a violência que as suas relações familiares causavam. Pra terminar, "A Vegetariana" é um livro bastante indigesto e desconfortável. A Yeonghye tem a necessidade de se desvencilhar de toda opressão, imposição, submissão e violências cotidianas. Deixar de comer carne, de pensar e sentir foi uma fuga que ela encontrou como forma de se libertar da violência e de tudo o que é humano. Enfim, com essa história é possível tirar reflexões de diversas situações que não se restringem apenas a cultura oriental/asiática quando pensamos na anulação da mulher e no domínio patriarcal. "Preciso me encharcar de água. Não preciso de comida, mana. Só de água." ^^

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