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    A Vegetariana -

    Han Kang

    Devir
    2013
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788575325728
    Português Brasileiro
    3.7
    16715 avaliações
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    Favoritos19Desejados12893Avaliaram16715

    "– É tarde. Corra. Tomei a dianteira e abri a porta. Fiquei olhando apreensivo a esposa que se contorcia tentando enfiar o pé no tênis azul marinho enquanto pressionava o botão do elevador com uma das mãos. Trench coat com tênis! Não combinava nada, mas não tinha jeito. Ela não tinha mais sapatos. Jogara fora tudo que era produto de couro." Publicado originalmente em 2007, A Vegetariana é um “romance-novelas” (desenvolvido em três novelas juntas no mesmo volume) publicado na Argentina, China, Coreia do Sul, Japão e Vietnã. Han Kang é expoente da nova geração de escritores coreanos, autora várias vezes premiada em seu país, e livre da marca das “grandes questões nacionais”, que pesavam sobre os ombros dos seus predecessores literários, submersos em profundas sombras do passado, buscando agora detalhes minuciosos das vidas dos indivíduos e do seu contexto. A literatura de Han Kang se ampara no realismo, mas é dotada de uma imaginação sem limites. A Vegetariana é um romance composto de três partes que se complementam e formam um todo, mas podem ser lidas independentemente. O livro conta a história de uma mulher coreana que decide não comer mais carne e enfrenta toda a repercussão social que uma decisão deste tipo provoca naquele país. A primeira parte é contada do ponto de vista do marido, um funcionário de médio escalão que está começando a galgar os degraus da hierarquia da empresa onde trabalha. É através dos olhos dele que percebemos o estranhamento que as atitudes de sua esposa provocam. A segunda parte, cuja narrativa tem um leve toque sensual, é contada a partir da perspectiva do cunhado (marido da irmã) da vegetariana, um artista na área de cinema e vídeo que decide fotografar e filmar a cunhada e acaba desenvolvendo uma queda por ela. A terceira parte é contada do ponto de vista da irmã que se vê dividida entre o dever fraternal que ela sente de proteger a irmã mais nova e o quanto ela compreende as atitudes da irmã e o que a levou a tomá-las.

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    Juliete Marçal picture
    Juliete Marçal17/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O distanciamento da própria condição humana.

    "Foi na madrugada seguinte que vi pela primeira vez o meu rosto na poça de sangue do celeiro." Ê incrível como "A Vegetariana" guarda tantas perturbações em uma narrativa tão curta! Esse livro vai narrar a história de uma mulher sul-coreana que se chama Yeonghye, que decide parar de comer carne e produtos de origem animal. Nessa história vamos saber o que acontece com a Yeonghye pelo ponto de vista de outros personagens, e não pela voz dela. O livro é dividido em três partes e cada uma delas é narrada por uma voz distinta. A primeira parte é narrada pelo marido de Yeonghye, e foca mais no comportamento da personagem em parar de comer carne e no estranhamento que isso causa à ele e à família. Na segunda parte, narrada pelo cunhado teremos um enredo relacionado ao erotismo e a última parte narrada pela irmã, - é a minha favorita, apesar de esperar algo mais do final -, vai trazer algumas informações da infância de Yeonghye, além de nos apresentar a personagem sob um olhar mais humanizado. Descobrimos que a personagem resolve parar de comer carne por causa dos seus sonhos. E isso é apenas o início de uma transformação da personagem que vai muito além da mudança de seus hábitos alimentares: ela está se livrando de amarras que ela teve a vida inteira e se distanciando da própria condição humana. "Eu tive um sonho..." O título é bem compatível com a visão limitada dos familiares sobre a personagem, que para eles o problema era apenas o fato de Yeonghye ter se tornado "a vegetariana", quando na verdade, as motivações que fizeram com que ela decidisse parar de comer carne não tem nenhuma relação àquelas que motivam normalmente outras pessoas a se tornarem vegetarianas. "Se ainda havia algo estranho nela, era o fato de continuar a não comer carne. Foi essa decisão - além de todos os seus comportamentos estranhos - o motivo do conflito com a família..." O que eu senti foi que a família usava o contexto do vegetarianismo para culpar todo o comportamento dela, não enxergando outras questões importantes que a levavam a ser quem ela é muito antes dos sonhos. Quando ela se torna vegetariana, ela deixa de ser a filha submissa, a esposa desinteressante e se torna um familiar estranho. O fato da personagem parar de comer carne, talvez seja, porque ela encontrou isso como uma forma de rejeitar o sufocamento e a violência que as suas relações familiares causavam. Pra terminar, "A Vegetariana" é um livro bastante indigesto e desconfortável. A Yeonghye tem a necessidade de se desvencilhar de toda opressão, imposição, submissão e violências cotidianas. Deixar de comer carne, de pensar e sentir foi uma fuga que ela encontrou como forma de se libertar da violência e de tudo o que é humano. Enfim, com essa história é possível tirar reflexões de diversas situações que não se restringem apenas a cultura oriental/asiática quando pensamos na anulação da mulher e no domínio patriarcal. "Preciso me encharcar de água. Não preciso de comida, mana. Só de água." ^^

    679 curtidas

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    3.7 / 16715
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas2%
    Han Kang profile picture

    Han Kang

    Han Kang nasceu em novembro de 1970 em Gwangju, Coreia do Sul. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Suyuri, em Seul. Na adolescência, desenvolveu o interesse pela literatura e, posteriormente, graduou-se em Letras na Universidade Yonsei. Sua carreira literária começou em 1993, quando publicou cinco poemas, incluindo "Winter in Seoul", na revista literária Munhak-gwa-sahoe. No ano seguinte, venceu o Concurso Literário de Primavera do Seoul Shinmun com a história "Red Anchor", marcando o início de sua carreira como romancista. Após a publicação de seu primeiro livro de contos, "Yeosu", em 1995, Han Kang continuou a desenvolver seu ofício e, em 1998, com o apoio do Conselho de Artes da Coreia, passou três meses no Programa de Escrita Internacional da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Ao retornar à Coreia, Han continuou a ensinar criação literária no Instituto de Artes de Seul e a escrever contos e romances. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios literários, incluindo o Prêmio Yi Sang de Literatura, o Prêmio Today's Young Artist e o Prêmio Manhae de Literatura. Han Kang é reconhecida como uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea sul-coreana e suas obras têm sido traduzidas para diversos idiomas, ampliando sua influência literária além das fronteiras coreanas. Atualmente, ela continua a ensinar e a escrever na Coreia do Sul. **Prêmios:** - 1999: Prêmio Korean Novel, pela novela "Baby Buddha". - 2000: Prêmio Today's Young Artist, pelo Ministério da Cultura da Coreia. - 2005: Prêmio YiSang de Literatura, por "Mongol Spot". - 2010: Prêmio Dongri de Literatura, por "The Wind is Blowing". - 2014: Prêmio Manhae de Literatura, por "Human Acts". - 2015: Prêmio Hwang Sun-won de Literatura, pela novela "While One Snowflake Melts". - 2016: Prêmio Man Booker Internacional, por "The Vegetarian". - 2017: Prêmio Malaparte na Itália, por "Human Acts". - 2018: Prêmio Kim Yujung de Literatura, pela novela "Farewell". - 2019: Prêmio San Clemete na Espanha, por "The Vegetarian". **Bibliografia:** - "Yeosu" (1995) - "Black Deer" (1998) - "Fruits of My Woman" (2000) - "Your Cold Hands" (2002) - "The Vegetarian" (2007) - "Breath Fighting" (2010) - "Greek Lessons" (2011) - "Fire Salamander" (2012) - "I put the evening in the drawer" (2013) - "Human Acts" (2014) - "The White Book" (2016) - "I Do Not Bid Farewell" (2021)

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    Jeollanam-do (em coreano 전라남도), Coréia do Sul

    Han Kang