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    A Vegetariana -

    Han Kang

    Dom Quixote
    2016
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-10: 9722061070
    Português
    3.7
    16715 avaliações
    Leram22285Lendo1140Querem12893Relendo27Abandonos424Resenhas3925
    Favoritos16Desejados12893Avaliaram16715

    Uma combinação fascinante de beleza e horror. Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.

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    Resenhas (3925)Ver mais
    Juliete Marçal picture
    Juliete Marçal17/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O distanciamento da própria condição humana.

    "Foi na madrugada seguinte que vi pela primeira vez o meu rosto na poça de sangue do celeiro." Ê incrível como "A Vegetariana" guarda tantas perturbações em uma narrativa tão curta! Esse livro vai narrar a história de uma mulher sul-coreana que se chama Yeonghye, que decide parar de comer carne e produtos de origem animal. Nessa história vamos saber o que acontece com a Yeonghye pelo ponto de vista de outros personagens, e não pela voz dela. O livro é dividido em três partes e cada uma delas é narrada por uma voz distinta. A primeira parte é narrada pelo marido de Yeonghye, e foca mais no comportamento da personagem em parar de comer carne e no estranhamento que isso causa à ele e à família. Na segunda parte, narrada pelo cunhado teremos um enredo relacionado ao erotismo e a última parte narrada pela irmã, - é a minha favorita, apesar de esperar algo mais do final -, vai trazer algumas informações da infância de Yeonghye, além de nos apresentar a personagem sob um olhar mais humanizado. Descobrimos que a personagem resolve parar de comer carne por causa dos seus sonhos. E isso é apenas o início de uma transformação da personagem que vai muito além da mudança de seus hábitos alimentares: ela está se livrando de amarras que ela teve a vida inteira e se distanciando da própria condição humana. "Eu tive um sonho..." O título é bem compatível com a visão limitada dos familiares sobre a personagem, que para eles o problema era apenas o fato de Yeonghye ter se tornado "a vegetariana", quando na verdade, as motivações que fizeram com que ela decidisse parar de comer carne não tem nenhuma relação àquelas que motivam normalmente outras pessoas a se tornarem vegetarianas. "Se ainda havia algo estranho nela, era o fato de continuar a não comer carne. Foi essa decisão - além de todos os seus comportamentos estranhos - o motivo do conflito com a família..." O que eu senti foi que a família usava o contexto do vegetarianismo para culpar todo o comportamento dela, não enxergando outras questões importantes que a levavam a ser quem ela é muito antes dos sonhos. Quando ela se torna vegetariana, ela deixa de ser a filha submissa, a esposa desinteressante e se torna um familiar estranho. O fato da personagem parar de comer carne, talvez seja, porque ela encontrou isso como uma forma de rejeitar o sufocamento e a violência que as suas relações familiares causavam. Pra terminar, "A Vegetariana" é um livro bastante indigesto e desconfortável. A Yeonghye tem a necessidade de se desvencilhar de toda opressão, imposição, submissão e violências cotidianas. Deixar de comer carne, de pensar e sentir foi uma fuga que ela encontrou como forma de se libertar da violência e de tudo o que é humano. Enfim, com essa história é possível tirar reflexões de diversas situações que não se restringem apenas a cultura oriental/asiática quando pensamos na anulação da mulher e no domínio patriarcal. "Preciso me encharcar de água. Não preciso de comida, mana. Só de água." ^^

    679 curtidas

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    3.7 / 16715
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas10%
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