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    Tortura e sintoma social -

    Maria Rita Kehl

    Boitempo Editorial
    2019
    37 páginas
    1h 14m
    ISBN-10: B07NWM797S
    Português Brasileiro
    4
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    Este ensaio de Maria Rita Kehl foi extraído da obra "O que resta da ditadura" (Org. Edson Teles e Vladimir Safatle), editada pela Boitempo, que reúne uma série de ensaios que esquadrinham o legado deixado pelo regime militar na estrutura jurídica, nas práticas políticas, na literatura, na violência institucionalizada e em outras esferas da vida social brasileira. Fruto de um seminário realizado na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, o livro reúne textos de escritores e intelectuais como Maria Rita Kehl, Jaime Ginzburg, Paulo Arantes, Ricardo Lísias e Jeanne Marie Gagnebin, que buscam analisar o que permanece de mais perverso da ditadura no país hoje.

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    Maíra Marques17/12/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Fomos (e somos) silenciados

    Na análise do discurso, muito se fala sobre o "não dito". O não dito apresenta uma relação com o sujeito através dos sentidos e de suas palavras silenciadas. Segundo Eni Orlandi, da mesma forma como o que é dito apaga outras palavras, o não dizer configura o subentendido, o pressuposto. Lendo esse pequeno livro, me lembrei dos livros da Orlandi, uma vez que o impacto do silenciamento da tortura da ditadura miliar e a impunidade dos torturadores têm uma relação imbricada com a violência policial e com a nossa sociedade. O livro tem vários trechos que deveriam ser trabalhados nas aulas de história, mas aqui deixo um para reflexão: "Mas se nós aceitamos com certa tranquilidade a existência da tortura e a impunidade dos torturadores, o que é que teria ficado recalcado, silenciado, depois da nossa pseudoanistia, e que ainda hoje produz sintomas sociais de violência policial com frequência ainda maior no presente do que durante a ditadura? Não é o fato de ter havido e haver tortura que ficou recalcado, e sim a convicção de que ela é intolerável."

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