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    Tortura e sintoma social -

    Maria Rita Kehl

    Boitempo
    2019
    39 páginas
    1h 18m
    ISBN-13: 9788575596906
    Português Brasileiro
    4
    33 avaliações
    Leram55Lendo1Querem33Relendo0Abandonos1Resenhas5
    Favoritos1Desejados33Avaliaram33

    Este ensaio de Maria Rita Kehl foi extraído da obra "O que resta da ditadura" (Org. Edson Teles e Vladimir Safatle), editada pela Boitempo, que reúne uma série de ensaios que esquadrinham o legado deixado pelo regime militar na estrutura jurídica, nas práticas políticas, na literatura, na violência institucionalizada e em outras esferas da vida social brasileira. Fruto de um seminário realizado na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, o livro reúne textos de escritores e intelectuais como Maria Rita Kehl, Jaime Ginzburg, Paulo Arantes, Ricardo Lísias e Jeanne Marie Gagnebin, que buscam analisar o que permanece de mais perverso da ditadura no país hoje.

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    Maíra Marques picture
    Maíra Marques17/12/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Fomos (e somos) silenciados

    Na análise do discurso, muito se fala sobre o "não dito". O não dito apresenta uma relação com o sujeito através dos sentidos e de suas palavras silenciadas. Segundo Eni Orlandi, da mesma forma como o que é dito apaga outras palavras, o não dizer configura o subentendido, o pressuposto. Lendo esse pequeno livro, me lembrei dos livros da Orlandi, uma vez que o impacto do silenciamento da tortura da ditadura miliar e a impunidade dos torturadores têm uma relação imbricada com a violência policial e com a nossa sociedade. O livro tem vários trechos que deveriam ser trabalhados nas aulas de história, mas aqui deixo um para reflexão: "Mas se nós aceitamos com certa tranquilidade a existência da tortura e a impunidade dos torturadores, o que é que teria ficado recalcado, silenciado, depois da nossa pseudoanistia, e que ainda hoje produz sintomas sociais de violência policial com frequência ainda maior no presente do que durante a ditadura? Não é o fato de ter havido e haver tortura que ficou recalcado, e sim a convicção de que ela é intolerável."

    27 curtidas

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    • 5 estrelas18%
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    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
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    Maria Rita Bicalho Kehl

    É psicanalista, cronista, ensaísta, mestra em Psicologia Social e doutora em psicanálise pelo Departamento de Psicologia Clínica da PUC-SP. Formada em psicologia pela USP, desde a universidade enveredou pelo jornalismo. Foi editora do Jornal Movimento, um dos mais importantes veículos da imprensa alternativa durante a Ditadura. Além de atender pacientes em psicanálise desde 1981, escreveu para diversos meios de comunicação e publicou vários livros, entre os quais: "O tempo e o cão - atualidade das depressões", vencedor do Prêmio Jabuti (não-ficção), em 2010, ano em que tambéu recebeu o Prêmio Direitos Humanos do governo federal na categoria "Mídia e Direitos Humanos". Em 2011 publicou "18 Crônicas e mais algumas". Em 2012, foi convidada a integrar a Comissão Nacional da Verdade, sendo condecorada com o Grau de Grande Oficial pela Ordem do Rio Branco em 2014.

    24 Livros
    65 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Maria Rita Bicalho Kehl