Dante’s Inferno meets Susanna Clarke’s Piranesi in this all-new dark academia fantasy from R. F. Kuang, the #1 New York Times bestselling author of Babel and Yellowface, in which two graduate students must put aside their rivalry and journey to Hell to save their professor’s soul—perhaps at the cost of their own. Katabasis, noun, Ancient Greek: The story of a hero’s descent to the underworld Alice Law has only ever had one goal: to become one of the brightest minds in the field of Magick. She has sacrificed everything to make that a reality: her pride, her health, her love life, and most definitely her sanity. All to work with Professor Jacob Grimes at Cambridge, the greatest magician in the world. That is, until he dies in a magical accident that could possibly be her fault. Grimes is now in Hell, and she’s going in after him. Because his recommendation could hold her very future in his now incorporeal hands and even death is not going to stop the pursuit of her dreams…. Nor will the fact that her rival, Peter Murdoch, has come to the very same conclusion. With nothing but the tales of Orpheus and Dante to guide them, enough chalk to draw the Pentagrams necessary for their spells, and the burning desire to make all the academic trauma mean anything, they set off across Hell to save a man they don’t even like. But Hell is not like the storybooks say, Magick isn’t always the answer, and there’s something in Alice and Peter’s past that could forge them into the perfect allies…or lead to their doom.
Katabasis - A Fantastical Descent into Hell, Rivalry, and Redemption in the Pursuit of Academic Glory from Author of Yellowface—R. F. Kuang
R. F. Kuang
Entre os mortos só resta a linguagem
Tive a oportunidade de ler o livro antes de seu lançamento por meio de um E-ARC (Advanced Reading Copy) e R.F. Kuang mais uma vez escancara as entranhas da academia, mas desta vez ela o faz não apenas com o rigor de uma crítica social, ela o faz com fogo e magia. Em Katabasis, a autora leva seus leitores por uma jornada literal ao Inferno, reimaginado como um campo de batalha acadêmico, filosófico, mítico e emocional. É uma narrativa carregada de erudição e paixão, onde os limites entre o intelecto e a alma são não só borrados, mas desmantelados com precisão cirúrgica. A protagonista, Alice Law, é uma jovem brilhante, obcecada por ser a melhor em magia analítica, uma disciplina que combina lógica formal, matemática, linguística e prática arcana. Desde o início, sabemos que ela sacrificou tudo: relações, estabilidade mental, corpo e afetos. Ela está completamente moldada e deformada pelo sistema acadêmico que venera. E é esse sistema que desmorona diante de seus olhos quando seu mentor, Jacob Grimes, o maior mago vivo, morre subitamente durante um experimento. A partir daí, Kuang articula um enredo com ecos de A Divina Comédia, Orfeu e Eurídice e até Journey to the West (clássico da mitologia chinesa). Alice, guiada pela culpa e pelo medo de perder o pouco que conquistou, decide literalmente descer ao Inferno para resgatar o professor. Não por amor, mas por sobrevivência. Por reputação. Por obsessão. Mas o Inferno de Katabasis não é um submundo uniforme. É um arquipélago de tormentos lógicos, morais e burocráticos. Cada círculo parece fundado não em pecados religiosos, mas em distorções estruturais do conhecimento, da ética, do desejo de poder. E ao lado dela vai Peter Murdoch, seu rival na pós-graduação, que carrega suas próprias fraturas e ambições. A dinâmica entre eles, cheia de tensão, sarcasmo, ferocidade intelectual e, por vezes, uma vulnerabilidade pungente, é um dos grandes trunfos do livro. A estrutura da narrativa também reflete esse labirinto infernal. Kuang alterna entre ação direta, diálogos ferinos, trechos que soam como tratados filosóficos, e momentos de pura introspecção lírica. A prosa é refinada, cheia de referências explícitas a Dante, Homero, Platão, mas também a pensadoras contemporâneas e à mitologia chinesa, que insinuam uma dualidade cultural importante na formação de Alice. O que torna Katabasis tão poderoso, no entanto, não é só seu brilhantismo técnico. É sua honestidade brutal sobre o que é estar em um ambiente que exige perfeição enquanto silencia afetos, desejos e corpos. Alice é uma mulher atravessada pela misoginia institucionalizada, pela lógica da meritocracia destrutiva, pelo mito do gênio e por isso mesmo sua jornada é profundamente comovente. Ela não é heroína. É sobrevivente. O título do livro já nos prepara: “katabasis” é a descida ao mundo dos mortos, o mergulho no abismo, um rito antigo presente em múltiplas tradições. Mas Kuang não quer apenas reencenar mitos. Ela quer mostrar como estamos todos já vivendo neles. Como a academia se tornou, para tantos, um tipo de inferno ritualizado. E como, mesmo no mais árido dos lugares, ainda resta a linguagem. Ainda resta escrita. Ao fim, não há promessa de salvação, apenas de compreensão. Talvez isso seja o bastante. Talvez seja tudo que podemos pedir de um livro: que ele nos desça ao mais fundo de nós, e nos devolva algo novo. Mais ferido, sim. Mas também é mais verdadeiro.
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