Eu me sinto no dever de fazer uma observação antes de iniciar esta resenha: se eu soar levemente histérica ou surtar de forma meio descabida... releve, por gentileza.
Acredito que estou desenvolvendo uma pequena obsessão por Roger – o mocinho – e isso não é muito bom já que, enquanto eu lia esse livro, compararam minha cara com a do “Jack, o iluminado”.
Portanto, sejam solidários e deem um desconto para essa criatura que vos escreve.
A minha relação com O quarto arcano: o Anjo negro é uma graça. Ou uma desgraça, dependendo da forma como se analisa a situação.
Explico.
Conheci este romance através de uma amiga do Skoob, a Carla. Ela falou tão bem da história que eu, dona de uma curiosidade que desconhece a serenidade e o bom senso, imediatamente elegi o dito cujo como o próximo furador-de-pilha-de-livros.
No entanto, qual não foi a tragédia de proporções shakespearianas quando descobri que O quarto arcano: o Anjo negro só foi publicado em Portugal?
!!!
Lá longe!
É claro que depois de visualizar uma cena envolvendo eu, Carla e criativas torturas medievais, milhares de cifrõezinhos, fretes e IOFs dispendiosos começaram a dançar uma ultrajante conga-conga bem na minha frente. E no meio dessa cachorrada toda, entendi que não ia rolar. Ou eu comia, ou eu comprava o livro.
Meu estômago venceu.
Mas eis que surge a Flaveth...
E junto com ela, toda a sua generosidade e compaixão por essa alma atormentada que queria tanto ler esta história. E Flá disse as três palavrinhas mais poéticas da minha vida: “Eu. Te. Empresto”.
Obviamente, minha cara de pau e eu não fizemos cerimônia e... adivinha? Dias atrás, chega esse chuchuzinho em minhas mãos.
 E, enfim, li o livro. 
Ainda não me refiz.
Imagina um romance ambientando na Buenos Aires do primeiro oitocentos, que conta a história de amor entre uma mocinha defensora dos negros e um mocinho dono de escravos? Agora, acrescente a isso um amor intenso, apaixonado, eu babando, obsessivo, possessivo, compulsivo, mais baba, ciumento, arrebatador, louco, alguém traz um balde, passional e tempestuoso.
Estes são Isaura “Melody” Maguire e Roger Blackraven.
Compreende minha taquicardia?
E para falar desse romance, pedi ajuda para a Flaveth. Vocês devem conhecê-la por sua resenha do livro Cavalo de Fogo, também da Florencia Bonelli, aqui no blog. De olho no seu diário de leitura - que eu acompanhava no Skoob - nem pestanejei: manda cá, Flá! É nóis!
Portanto, aí estão duas visões de O quarto arcano: o Anjo negro: a de uma lady, repleta de comentários fofos (Flaveth) e a de uma criatura esculachada, que precisa aprender o significado da palavra “comportada” (eu).
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Diário de bordo de Flaveth
CENÁRIO DA HISTÓRIA:
Buenos Aires, início do séc. XIX, em uma época quando processos revolucionários espalham-se por várias colônias espanholas da América, inclusive a bela Buenos Aires.
PERSONAGENS:
a) ROGER: O nosso mocinho é um inglês, mulherengo, dono de escravos, entretanto, também é bondoso, compreensivo, justo e mega-ultra-hiper-super apaixonado!!!
b) MELODY/ISAURA: É tratada por dois nomes, pois sua mãe colocou seu nome de Isaura e seu pai a chamava por Melody por ter uma voz linda. Forte, guerreira, inteligente, corajosa é uma mocinha diferente e, portanto uma fonte inesgotável de surpresas
c) FOUCHÉ: Importante ministro da polícia do império, responde diretamente a Bonaparte
d) La Cobra: O assassino mais mortal da Europa, contratado por Fouché pra encontrar ‘Escorpião negro’.
e) ESCOPIÃO NEGRO: O espião mais hábil e imprevisível e quem Fouché procura desesperadamente.
A CENA MAIS BONITA:
Quando Melody está muito machucada (não posso dizer o porquê, né?) e o Roger faz muito esforço pra não chorar quando esta dando banho e cuidando dela com tanto carinho e amor. Muito lindo!
UM DESTAQUE:
Para a história de amor lindamente descrita entre o negro Servando e a branca Elisea. Gente, que moça arretada de boa! E que negro mais atrevido! Rsss
OPINIÃO:
Um livro que tem que ir para uma categoria especial. Por quê? Porque cinco estrelas é muito pouco para o que a Florencia faz em 544 páginas. Ela descreve uma estória de amor lindíssima, em um cenário histórico profundamente pesquisado e ainda com uma mocinha que luta pelos direitos dos negros tão sofridos. É mole? Ou quer mais? Ela é fera no que faz!
E como é que essa autora consegue colocar tudo isso em um livro só e amarra tudo muito bem? Construção de personagens tão bem feitos e como eu destaquei abaixo, desenhado, com tanta delicadeza e cuidado que chega a emocionar. Tantas singelezas me fizeram viajar no mar de palavras e papel.
Por isso, eu o chamo de “O livrão”, não só pelo tamanho, mas também pelo conteúdo, que merece um lugar especial na estante e no coração de toda amante de um bom romance histórico.
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Como você pôde ver, uma história como poucas. É realmente “O Livrão”, com ênfase no artigo definido.
Assim como a Flá, experimentei tantas emoções extremas que, em alguns momentos, tive de dar uma pausa e pensar em coisas como Teletubbies pra minha cabeça ficar off-line.
Mas o pior é que, com um enredo tão viciante, fica difícil se desprender da leitura. Apelei tanto pro “só mais cinco paginazinhas” que o resultado, no dia seguinte, foi uma cara de zumbi atropelado.
Nem três quilos de maquiagem disfarçaram o estrago.
Eu ainda teria algumas coisas a acrescentar ao que a Flá já falou sobre O quarto arcano: o Anjo negro, mas como sei que o negócio ia render e você não tem o dia todo para ler essa resenha, resolvi (tentar) ser sucinta e só separar alguns topicozinhos.
Coisa bem pouca.
=> Os mocinhos: perfeitos. Isaura foi um show à parte e Roger... Bem, como sei que qualquer comentário que eu fizer será censurado, compartilho as palavras de outra amiga do Skoob, a Sueli Jansen, que resume perfeitamente minha opinião: “O que fazer depois de Roger Blackraven? (...) ele é um daqueles personagens que nos deixam aniquilados depois que se despedem de nós”.
Depois de matutar bastante, creio que achei a única solução: continuarei lendo a série Mortal da Nora porque o Roarke, sem dúvida, é o tatatatataraneto do Roger.
=> Personagens: bem estruturados e desenvolvidos, mas são tantos que você se embola. Isso foi uma dificuldade pra mim porque se eu mal consigo arquivar o que fiz 3 minutos antes, imagina lembrar de todo mundo? No final das contas, eu estava chamando todo mundo de Zé.
=> História X ficção: para construir o enredo, Florencia uniu fatos históricos e ficção. É interessantíssima essa “releitura”, mas em alguns momentos ficava meio cansativo. Eu tinha de me segurar pra não ir direto para as cenas do Roger e da Isaura. Sabe como é... tinha de alimentar minha obsessão pelo mocinho.
Mas não se desanime porque essas partes são muito bem escritas e, além do mais, você sempre terá a opção de utilizar o método "lê um parágrafo, pula dois”.
=> Escravidão: sem dúvida, essa foi a temática que mais me rendeu revolta, choro, raiva e compaixão. Florência não mascarou nada, ela expôs de forma bastante crua a vida dos negros perante a realidade dantesca. Enquanto lia essas partes, eu me lembrei de alguns versos do Navio Negreiro de Castro Alves:
“Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
(...)
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.”
Já se imaginou sendo tirado à força da vida que você leva agora, deixando para trás sua liberdade, sonhos e família? E quando se dá conta, é tratado pior do que um animal a ponto de não se considerar mais gente?
É... foi por aí.
=> Suspense/espionagem: para mim, esse negócio de La Cobra (coqueluche dos matadores de aluguel) e Escorpião Negro (espião inglês bambambã) foi indiferente porque não me ligo muito nesse estilo Tom Clancy. A inclusão de ambos na história tem a ver com o processo revolucionário pelo qual o mundo passava e etc. e essa questão só será resolvida láááá na frente.
=> Romances: além da história retumbante de Roger e Isaura, temos alguns romances paralelos e cut cut, protagonizados por personagens secundários. Mas como a Flá disse, o mais comovente dentre estes é a do escravo Servando e da branca Elisea. É de chorar, acredite.
=> O final: a história acaba de um jeito tão “como assim?” que, por pouco, não soltei um sonoro e histérico “Colé?!”. A última cena envolvendo a Melody me fez chorar horrores. Enquanto a Flá elegantemente usou lenços, eu já estava arruinando a minha blusa e fungando tão discretamente quanto uma britadeira.
Mas por que o final tão em aberto? Hum???
Simples, pra ter tem continuação, O quarto arcano: porto das tormentas.
Cruel, não?
Entretanto, antes que eu novamente me angustiasse e entrasse em conflito com os cifrõezinhos, fretes e IOFs, imagine quem apartou a briga? Flaveth, de novo. Ela me emprestou o segundo livro antes de ler. Acredita?
Nem eu.
E eu li.
Tudinho. De cabo a rabo. Em tempo recorde. Saltitante.
De novo não me refiz.
O quarto arcano é o tipo da história que entra no seu imaginário pra ficar. Acredito que seja impossível fechar o livro e seguir adiante. Como também disse Sueli: “O difícil é despedir-se dele”. Roger, Melody e todos os outros personagens continuam ecoando e o sentimento de saudade permanece.
Daí, a única coisa que digo é: O que fazer depois de Quarto Arcano?
Recomendo?
Nem preciso falar...
; )