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    Margarida La Rocque - A Ilha dos Demônios

    Dinah Silveira de Queiroz

    Livraria José Olympio Editora
    1949
    215 páginas
    7h 10m
    ISBN-10: 8501036420
    Português Brasileiro
    4
    154 avaliações
    Leram192Lendo6Querem301Relendo0Abandonos0Resenhas27
    Favoritos5Desejados301Avaliaram154

    Dividido em duas partes, a primeira, intitulada “A Profecia”, narra como a protagonista, Margarida La Rocque, nascida numa vila da França, é criada cercada de cuidados por seus pais. Já crescida, casa-se com Cristiano, uma aventureiro que, após algum tempo de casado, parte para a América, deixando Margarida em Paris. Aflita com a demora do marido, Margarida convence seu primo, João Francisco de La Rocque (conhecido como senhor de Roberval), a levá-la numa viagem marítima à Nova França, onde ela esperava saber notícias do esposo. No trajeto, porém, apaixona-se e torna-se amante de um dos tripulantes, João Maria. O envolvimento dos dois é descoberto e Roberval, comandante da expedição, cruelmente decide castigar Margarida, abandonando-a, juntamente com a aia Juliana, numa ilha desabitada. O amante de Margarida, João Maria, consegue escapar da prisão no navio e, a nado, também atinge o exílio na ilha. A segunda parte, “O Julgamento de Deus”, narra a luta de Margarida, Juliana e João Maria em busca de sobrevivência na ilha e o relacionamento dos três, que se desenvolve e se modifica. Além disso, espíritos e duendes que habitam a ilha se manifestam e se comunicam com Margarida. Após a morte de todos os companheiros, Margarida tem que lidar com a solidão e com os demônios da ilha que a atormentam, até que um grupo de pescadores a resgata de volta à civilização.

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    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião26/05/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leituras de 2022 | Cortesia da editora Margarida La Rocque [1949] Dinah Silveira de Queiroz (SP, 1911-1982) Instante, 2022, 208 p. ‘Margarida La Rocque’ ainda ia a meio da leitura quando me descobri seu mais novo (ainda que tardio) devoto. Conhecia a autora de nome e por uma breve menção, durante a graduação em Letras, à impossibilidade de classificar sua obra nas vagas regionalistas ou urbano-psicológicas da literatura brasileira das décadas de 1940 e 1950. Mas nunca a tinha lido, e começar por aqui me encantou. Exímia contadora de histórias, Dinah é capaz de transformar fórmulas gastas em complexos percursos narrativos, de relatar sonhos e delírios com vivacidade assustadora, de mostrar o avesso do fantástico no aprofundamento ambíguo da psique de sua protagonista. Uma autora, com efeito, inclassificável. Em meados do século 16, a narradora-protagonista deste romance é abandonada na misteriosa “ilha dos demônios” como punição após uma falta grave cometida a bordo do navio do “vice-rei das novas terras.” Acompanhada de sua aia, Juliana, e de seu amante João Maria, Margarida logo percebe que, aliada aos descompassos de uma paixão desmedida, a condição feminina de subalternidade é, por si só, capaz de povoar um paraíso de demônios e outros seres mesquinhos. À medida que os dias viram meses, a ilha ganha corpo, voz e inúmeros olhares sobre o trio de exilados, deixando o insólito tomar conta de suas certezas mundanas e espirituais. Profundamente perturbador, o romance entrega personagens complexas e contraditórias sufocadas pelo desconhecido e, em igual medida, aprisionadas às convenções e estruturas opressoras do mundo ao qual desejam retornar. Assim que chegou o livro, fui cativado pela belíssima edição, seduzido pelos elementos da narrativa anunciados na quarta capa (viagens quinhentistas, terror psicológico, atmosfera fantástica) e maravilhado pelas palavras que abriam o texto: “Padre, não vos faço uma confissão.” O resultado dessa interlocução é uma história entre a devoção religiosa e a apostasia, cuja amplitude de sentidos e elaboração simbólica são tão potentes e insondáveis quanto a própria ilha que a tornou possível.

    30 curtidas

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    Diná Silveira de Queirós

    Diná Silveira de Queirós (São Paulo, 9 de novembro de 1911 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1982) foi uma romancista, contista e cronista brasileira.

    34 Livros
    35 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Diná Silveira de Queirós