Margarida La Rocque - A ilha dos demônios

    Dinah Silveira de Queiroz

    Editora Record
    1991
    277 páginas
    9h 14m
    ISBN-13: 9788501036421
    Português Brasileiro

    Este romance foi inspirado numa breve passagem da "cosmografia" do Padre André Thévet. É uma história de seu tempo. Traz a realidade maravilhosa de uma época em que a Europa vivia abalada pelos sonhos dos descobrimentos, quando as paredes das cavernas e hospedarias eram cobertas de desenhos representando índios, monstros, serpentes e demônios que os marinheiros teriam conhecido nas jovens terras pagãs. Cada viajante trazia seu extraordinário episódio. "Margarida La Rocque", conta a um padre sua pungente história. Estão os dois sob as arcadas de um convento. Vai a meio o século dezesseis.

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    Berttoni Licarião26/05/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leituras de 2022 | Cortesia da editora Margarida La Rocque [1949] Dinah Silveira de Queiroz (SP, 1911-1982) Instante, 2022, 208 p. ‘Margarida La Rocque’ ainda ia a meio da leitura quando me descobri seu mais novo (ainda que tardio) devoto. Conhecia a autora de nome e por uma breve menção, durante a graduação em Letras, à impossibilidade de classificar sua obra nas vagas regionalistas ou urbano-psicológicas da literatura brasileira das décadas de 1940 e 1950. Mas nunca a tinha lido, e começar por aqui me encantou. Exímia contadora de histórias, Dinah é capaz de transformar fórmulas gastas em complexos percursos narrativos, de relatar sonhos e delírios com vivacidade assustadora, de mostrar o avesso do fantástico no aprofundamento ambíguo da psique de sua protagonista. Uma autora, com efeito, inclassificável. Em meados do século 16, a narradora-protagonista deste romance é abandonada na misteriosa “ilha dos demônios” como punição após uma falta grave cometida a bordo do navio do “vice-rei das novas terras.” Acompanhada de sua aia, Juliana, e de seu amante João Maria, Margarida logo percebe que, aliada aos descompassos de uma paixão desmedida, a condição feminina de subalternidade é, por si só, capaz de povoar um paraíso de demônios e outros seres mesquinhos. À medida que os dias viram meses, a ilha ganha corpo, voz e inúmeros olhares sobre o trio de exilados, deixando o insólito tomar conta de suas certezas mundanas e espirituais. Profundamente perturbador, o romance entrega personagens complexas e contraditórias sufocadas pelo desconhecido e, em igual medida, aprisionadas às convenções e estruturas opressoras do mundo ao qual desejam retornar. Assim que chegou o livro, fui cativado pela belíssima edição, seduzido pelos elementos da narrativa anunciados na quarta capa (viagens quinhentistas, terror psicológico, atmosfera fantástica) e maravilhado pelas palavras que abriam o texto: “Padre, não vos faço uma confissão.” O resultado dessa interlocução é uma história entre a devoção religiosa e a apostasia, cuja amplitude de sentidos e elaboração simbólica são tão potentes e insondáveis quanto a própria ilha que a tornou possível.

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