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    Novelas Exemplares -

    Miguel de Cervantes Saavedra

    Abril
    1983
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788540509207
    Português Brasileiro
    4
    311 avaliações
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    Favoritos3Desejados1236Avaliaram311

    As Novelas exemplares são uma série de novelas curtas que Miguel de Cervantes escreveu entre 1590 e 1612, e que depois acabaria publicando em 1613 em uma coleção editada em Madri por Juan da Custa, dada a grande acolhida que obteve com a primeira parte do Quijote.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves  picture
    Leila de Carvalho e Gonçalves 23/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Lançamento Aguardado

    A Respeito Da Edição: Em 1970, a Editora Abril publicou Novelas Exemplares, de Cervantes. Era o quarto volume da coleção "Os Imortais da Literatura Universal" e essa escolha surpreendeu os leitores, pois se esperava o óbvio: Dom Quixote de La Mancha. O livro, uma reedição da Editora Boa Leitura lançada em 1963, vendeu milhares de cópias por assinatura e nas bancas de jornais a despeito de sérios problemas. Sem a introdução do professor Julio Morejón e descartadas as ilustrações Christa Salletier, só restou a tradução antiquada de Darly Nicolanna Scornaienchi para a singular apresentação das novelas, isto é, fora da ordem adotada pelo autor. Aliás, só para parte das novelas, pois das doze, apenas nove e uma mutilada foram impressas, uma estratégia que já fora empregada pela Boa Leitura, provavelmente para baratear os gastos. O mais espantoso é que durante décadas, essa foi a melhor opção para quem desejasse conhecer o livro em nosso idioma. Somente em 2015, a Cosac & Naify publicou uma edição à altura do talento de Cervantes. Em capa dura, com ilustrações de Vânia Mignone e tradução do gaúcho Ernani Ssó, o livro possui todas os novelas além de 60 páginas de Fortuna Crítica. Todavia, com o fechamento da editora, o preço do exemplar disparou e ainda hoje, por um valor exorbitante, há um pequeno número à venda. Portanto, a recente chegada às livrarias de uma nova edição da obra, a cargo da Editora Martin Claret, vem despertando a curiosidade, em especial, por conta da nova tradução de Yara Camillo que inclui um útil glossário com 604 notas de rodapé que mostram “interessantes contextualizações históricas, referências folclóricas, paremiológicas, mitológicas e literárias”, como adianta Silvia Cobelo, mestre e doutora em Cervantes, num esclarecer prefácio que antecede o comentário da tradutora, a dedicatória e o divertido prólogo do autor. Nota: Como tenho os livros da Abril e da Cosac & Naify, decidi comprar o e-book da Martin Claret e recomendo. Por sinal, é a primeira vez que uma tradução para o português de Novelas Exemplares é oferecida nesse formato. Sobre a Obra: Publicadas em 1613, esass novelas primam pela graciosidade, fluência e o bom humor. Ao contrário do que esperava, não são solenes nem cansativas e apresentam sentimentos intensos, tramas burlescas bem ao gosto da época e personagens de diferentes origens culturais, compondo um precioso painel da Espanha Católica. Cervantes sem meias palavras aborda a loucura e defende as minorias, trata também da criminalidade, do casamento por interesse e sedução. Até mesmo, burlando a censura, toca num assunto difícil por duas vezes: o estupro e suas consequências. Todavia, não espere pelo tom sexualmente explícito de "Decamerão", a influência do livro refere-se apenas a estrutura das narrativas, afinal, essa novelas são “exemplares”. Ou melhor, são “singularmente exemplares”, pois alguns dos relatos referem-se “a exemplos a serem seguidos, mas outros, evitados”... Sendo mais explícita, como explica Silvia Colebo, Cervantes ao adjetivar o título e confirmar a exemplaridade da obra no Prólogo, também estava se referindo ao fato dela ser “um exemplo a ser seguido por outros escritores”, afinal, ele “foi o primeiro a novelar em sua língua”, um gênero considerado menor na Espanha na ocasião. Finalmente, essa é uma leitura indispensável para quem aprecia os clássicos. Encerro com Oto Maria Carpeaux: "Novelas exemplares" são a outra grande obra de Cervantes, digna de figurar ao lado de "Dom Quixote".

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