No livro "O milagre" de Nicholas Sparks, conta uma historia de Jeremy Marsh um respeitado jornalista que não consegue emplacar um relacionamento afetivo que o faça feliz. Acostumado a viajar pelo mundo à cata de lendas urbanas, Jeremy parte em direção a uma cidadezinha do sul dos Estados Unidos para investigar as misteriosas luzes de um antigo cemitério escravo que teria sido alvo de uma maldição. Lá ele conhece a bela Lexie Damell, que irá ajudá-lo em sua fantasmagórica missão. Prestes a descobrir um segredo que poderá abalar os alicerces da comunidade, esse implacável destruidor de mitos terá de se confrontar com o único fenômeno que considera genuinamente misterioso e sobrenatural: uma paixão. Falando dos riscos que devemos correr e dos caminhos ditados pelo coração, O milagre fará com que você também acredite no amor".
O Milagre (Jeremy Marsh & Lexie Darnell #1) - Só um milagre poderia fazê-lo se apaixonar
Nicholas Sparks
O Milagre foi minha primeira leitura de Nicholas Sparks. Apesar de haver assistido a quase todos os filmes que foram adaptados a partir de suas obras e de ter A Última Música e Querido John há meses em minha estante, escolhi a mais recente publicação da editora Agir como minha companheira de viagem. O livro conta a história do nova-iorquino Jeremy Marsh, jornalista bonitão que trabalha como colunista para a revista de ciências Scientific American. Atuando como um verdadeiro mith buster (um caçador de mitos, como no programa homônimo do Discovery Channel), ele decifra salafrários, supostos videntes, sensitivos farsantes e diversos mistérios envolvendo o sobrenatural. Para ele, a vida segue um caminho lógico, racionalmente demonstrável, onde tudo possui uma justificativa. Após o estrondoso sucesso na tevê pela ocasião de desmitificar um falso médium, Jeremy parte para mais uma missão: investigar a aparição de luzes fantasmagóricas no cemitério da pequena cidade sulista de Boone Creek, lugar perto de onde Judas Perdeu as Botas e depois de Onde o Vento Faz a Curva. Milagre mesmo foi ter persistido na leitura, porque sinceramente nada acontece na história. Trata-se resumidamente de um garoto encontra garota em uma cidade pequena. Após três dias juntos, já existem juras de amor e Jeremy já se imagina velhinho ao lado de Lexie Darnell. Amor eterno a jato, é esse resumo do livro. Para um personagem apresentado como um homem decididamente cético, Jeremy apresenta alguns probleminhas. Na verdade, este não chega a ser o problema central do livro, mas sim a forma como Nicholas Sparks desenvolve a paixão entre o casal protagonista. A bibliotecária Lexie tem medo de se apaixonar, ser abandonada e acabarem seus dias sozinha. Abandonada por dois ex-namorados que nem ao menos se deram ao trabalho de correr atrás dela tentando reatar o romance, ela tem o coração ferido e não quer se envolver com um homem que tem data marcada para retornar à cidade grande. Mesmo assim, tã dã, ela se envolve com Jeremy e depois cai na infantil estratégia de dar um gelo no homem. Muito maduro para uma mulher com mais de 30 anos. Já Jeremy esconde um divórcio amargo e se sente romanticamente inferior a qualquer mulher que cruze seu caminho. Mesmo assim, ele cai de amores pela nossa protagonista interiorana: ela é bonita, ela é misteriosa, ela é intrigante e o faz rir. Por que não abandonar a vida na cidade em troca de um grande amor? Junte dois com dois e você terá quatro: é a história de amor impossível mais óbvia do ano, e talvez a mais rapidamente solucionada (meia página). Outro detalhe que chamou minha atenção é que a capa brasileira do livro não possui relação com a história: Lexie é descrita como tendo cabelos castanhos que batiam levemente nos ombros, além de ter a pele morena, com um leve toque de oliva. Alguém me explica a loira platinada da capa? De qualquer modo, o livro melhora consideravelmente quando aborda os personagens secundários da trama, em uma divertida e bastante convincente descrição dos tipos mais comuns em cidades pequenas norte-americanas, como a garçonete um tanto oferecida (Rachel), o policial mal encarado que no fundo é uma manteiga derretida (Rodney), o tipo caladão (Jed) e o prefeito puxa-saco (Gherkin). A avó de Lexie, Doris, exerce um papel fundamental na história e é o grande motor do livro. Ela é o perfeito arquétipo da vovó boazinha e é impossível não cair de amores por ela. O final, que não possui absolutamente nada a ver com o mistério das luzes do cemitério da cidade, é doce e bastante encantador. O verdadeiro milagre de O Milagre passou despercebido por mim ao longo do livro, mas conseguiu cativar um sorriso quando encerrei a leitura e finalmente fechei o livro.
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