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    Ana Terra (O Tempo e o Vento) -

    Erico Verissimo

    Companhia das Letras
    2005
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788535905977
    Português Brasileiro
    4
    5425 avaliações
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    "Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando", costuma dizer Ana Terra, que reside com os pais e os dois irmãos numa estância erma do interior gaúcho, na segunda metade do século XVIII. O cotidiano dos Terras é duro, penoso, arriscado. Tiram sustento da colheita. Calculam a passagem do tempo observando a natureza. Vivem sob o perigo de ataques de índios ou de renegados castelhanos, estes últimos recentemente expulsos do Continente de São Pedro. Ana Terra, única filha mulher, é impedida de comprar um espelho, "coisa do diabo", objeto fútil nesse ambiente austero. Sem ter onde mirar-se, só pode contemplar sua figura na superfície do regato onde lava a roupa da família. É nesse regato que ela depara com Pedro Missioneiro, ferido à bala. Mestiço de índio nascido numa missão jesuítica, Pedro lutara ao lado dos estancieiros pela expulsão dos castelhanos.

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    Melina Galete15/12/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sobre "Ana Terra"

    Terra. Não foi uma escolha inconsciente o sobrenome de Ana Terra. Principalmente se observarmos que é uma mulher que o carrega. Embora tenha herdado o nome do pai, Maneco Terra, é a partir de Ana que ele ganha força. Ana é mãe, assim como a terra. Gera um filho em suas entranhas como a terra fecunda o trigo. Ela é a matriarca da família que tem seus duzentos anos de história contados em O tempo e o vento, de Erico Veríssimo, trilogia em que se insere o livro "Ana Terra". Terra é um sobrenome forte que podemos associar ao campo, palco de alguns momentos da vida da personagem. Podemos também associá-lo ao trabalho pesado, à resistência. A terra é o maior exemplo de vida, de perpetuação das espécies, é ela que sustenta tudo e se mantém forte mesmo com o passar do tempo. Ana Terra tem apenas um filho, Pedro Terra, e através dele transmite sua força por várias gerações. Para ela, cuidar da terra é cuidar da sobrevivência, da manutenção da família. Ana nasceu em Sorocaba, mas no início do romance ela vive em uma estância localizada próxima à cidade de Rio Pardo, no Continente de São Pedro do Rio Grande, atual Rio Grande do Sul. Os continentinos preocupavam-se muito em "ser machos", participar de guerras, defender a honra. O pai e os irmãos de Ana Terra, ao contrário de muitos gaúchos, não se importavam com as guerras, sonhavam mesmo em plantar trigo, que estava em alta na década de 80 do século XVIII. Talvez, por serem descendentes de portugueses, preferiam lidar com a terra a tomar parte nas batalhas travadas para defender o Continente. o velho Maneco sabia que os generais estavam mais interessados em defender suas propriedades e ganhar mais sesmarias. O vento também tem uma grande importância nesse romance. "Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando" - costumava dizer Ana Terra. (VERISSIMO, 1976, 73) Ele é o destino, é também o passado, ele traz a lembrança do tempo que passa, traz a desgraça, a morte e a esperança. O vento é o homem que aparece subitamente na vida de Ana Terra e passa, deixando saudades e um filho em seu ventre. A terra é o tempo, que também passa, mas quase sempre da mesma maneira, renovando-se lentamente.

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    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo