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    Ana Terra (O tempo e o vento #1) -

    Érico Verissimo

    Globo, (RS)
    1974
    154 páginas
    5h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    5425 avaliações
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    [Coleção Sagitário] O cotidiano dos Terras é duro, penoso, arriscado. Tiram sustento da colheita. Calculam a passagem do tempo observando a natureza. Vivem sob o perigo de ataques de índios ou de renegados castelhanos, estes últimos recentemente expulsos do Continente de São Pedro. Ana Terra, única filha mulher, é impedida de comprar um espelho, 'coisa do diabo', objeto fútil nesse ambiente austero. Sem ter onde mirar-se, só pode contemplar sua figura na superfície do regato onde lava a roupa da família. É nesse regato que ela depara com Pedro Missioneiro, ferido à bala. Mestiço de índio nascido numa missão jesuítica, Pedro lutara ao lado dos estancieiros pela expulsão dos castelhanos. Após restabelecer a saúde, pouco a pouco vence a desconfiança dos Terras e a repulsa de Ana, para quem sua 'presença era tão desagradável como a de uma cobra'. Sem perceber, a moça enamora-se de Pedro, uma atração trágica e irresistível que muda a vida da família Terra para sempre. Marcada por uma beleza áspera, com personagens fortemente ligados à natureza que os sustenta e os agride, 'Ana Terra' faz parte da saga 'O tempo e o vento', obra-prima de Erico Verissimo.

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    Melina Galete picture
    Melina Galete15/12/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sobre "Ana Terra"

    Terra. Não foi uma escolha inconsciente o sobrenome de Ana Terra. Principalmente se observarmos que é uma mulher que o carrega. Embora tenha herdado o nome do pai, Maneco Terra, é a partir de Ana que ele ganha força. Ana é mãe, assim como a terra. Gera um filho em suas entranhas como a terra fecunda o trigo. Ela é a matriarca da família que tem seus duzentos anos de história contados em O tempo e o vento, de Erico Veríssimo, trilogia em que se insere o livro "Ana Terra". Terra é um sobrenome forte que podemos associar ao campo, palco de alguns momentos da vida da personagem. Podemos também associá-lo ao trabalho pesado, à resistência. A terra é o maior exemplo de vida, de perpetuação das espécies, é ela que sustenta tudo e se mantém forte mesmo com o passar do tempo. Ana Terra tem apenas um filho, Pedro Terra, e através dele transmite sua força por várias gerações. Para ela, cuidar da terra é cuidar da sobrevivência, da manutenção da família. Ana nasceu em Sorocaba, mas no início do romance ela vive em uma estância localizada próxima à cidade de Rio Pardo, no Continente de São Pedro do Rio Grande, atual Rio Grande do Sul. Os continentinos preocupavam-se muito em "ser machos", participar de guerras, defender a honra. O pai e os irmãos de Ana Terra, ao contrário de muitos gaúchos, não se importavam com as guerras, sonhavam mesmo em plantar trigo, que estava em alta na década de 80 do século XVIII. Talvez, por serem descendentes de portugueses, preferiam lidar com a terra a tomar parte nas batalhas travadas para defender o Continente. o velho Maneco sabia que os generais estavam mais interessados em defender suas propriedades e ganhar mais sesmarias. O vento também tem uma grande importância nesse romance. "Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando" - costumava dizer Ana Terra. (VERISSIMO, 1976, 73) Ele é o destino, é também o passado, ele traz a lembrança do tempo que passa, traz a desgraça, a morte e a esperança. O vento é o homem que aparece subitamente na vida de Ana Terra e passa, deixando saudades e um filho em seu ventre. A terra é o tempo, que também passa, mas quase sempre da mesma maneira, renovando-se lentamente.

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