John Scalzi vem ocupando um lugar especial na minha estante mental de autores, pois primeiro surpreendeu o mundo com "Guerra do Velho" (aquele início de livro é um dos melhores que já li: "No meu aniversário de 75 anos fiz duas coisas: visitei o túmulo da minha esposa, depois entrei para o exército.") e agora descubro que há uma continuidade daquela surpreendente história e que foi tão bem escrita quanto o primeiro livro.
*spoilers do 1o livro "Guerra do Velho" abaixo
Brigadas fantasmas é a divisão do "Exército Espacial" que engloba os corpos dos alistados que morreram antes de serem transferidos.
Basicamente um corpo começa a ser "fabricado" a partir do momento que alguém se alista e quando chega o momento de incorporar aquela pessoa ao esquadrão, sua consciência é transferida ao corpo recém-fabricado do ser humano 2.0. Porém se a pessoa morre antes desta etapa, a divisão militar se vê com uma carcaça sem a alma/espírito para tomar aquele espaço. A solução então é também "criar" esta consciência.
No primeiro livro as Brigadas Fantasmas são um mistério e quase ninguém aborda o assunto, é algo tratado como um tabu ou "aqueles que não devem ser nomeados". E é justamente o que faz nossos olhos brilharem para este livro, porque a narrativa se passa totalmente do lado deles. Como é processo de criação, treinamento, comunicação, interação, etc.
E o mais surpreendente de tudo é que o livro acaba não se tratando sobre guerra, espionagem e traição, mas sim sobre escolhas.
As escolhas, que só aparentam existir entre os integrantes da Brigada Fantasma, passam a tomar um papel enorme e fundamental no desenrolar de toda a narrativa. O principal personagem - Jared Dirac - é colocado diante de desafios que ele precisa analisar e escolher por si só qual o caminho a seguir. Particularmente o diálogo entre ele, Cainen e Harry Wilson é uma peça filosófica enorme, onde Cainen e Harry fazem sua escolha antes de Jared (mesmo que isso signifique suas mortes) e então pedem que Jared faça a sua (sem saber sobre as consequências para eles).
A maneira como ele aborda o assunto e a sua conclusão é algo que explodiu minha cabeça, e mais ainda por depois eles revelarem qual poderia ser o final deles se todos fossem por outro caminho.
O final me surpreendeu mais ainda, pois desta vez Jared faz uma enorme escolha só sua, sem influência de ninguém, que muda o rumo do destino galáctico. Por sorte sua chefe Tenente Sagan entende e, quando chega a sua vez de escolher, ela pede que seja seguida a escolha (vontade) prévia de Jared.
Mal posso esperar pelo terceiro livro agora.