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    Valsa Nº 6 - Roteiro de leitura de Flávio Aguiar

    Nelson Rodrigues

    Nova Fronteira
    2004
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-14: 9788520916865_
    Português Brasileiro
    3.8
    458 avaliações
    Leram931Lendo41Querem400Relendo0Abandonos2Resenhas26
    Favoritos20Desejados400Avaliaram458

    A adolescente Sônia é assassinada enquanto executa a 'Valsa nº 6', de Chopin. Depois de morta, tenta montar o quebra-cabeça de suas memórias e reconstruir os acontecimentos de sua vida. Sempre com a peça musical de Chopin funcionando como pano de fundo, a moça vai revelando uma trama de assassinato, adultério, alucinações e conflitos entre o real e o imaginário. A peça 'Valsa nº 6', de 1951, é o único monólogo da obra de Nelson Rodrigues.

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    Ana Paula Guedes picture
    Ana Paula Guedes15/03/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obra-Prima, sem mais

    Mais uma crítica ácida e refinada à sociedade brasileira dos anos 50, na qual os bens e o dinheiro pareciam substituir a moral. Nessa obra, como em outras do universo rodriguiano, há um mundo único e particular, mórbido e imoralmente amoral no seio de uma família tradicional e burguesa. Entendo que Nelson era simultaneamente odiado tanto por reacionários quanto por revolucionários, e tem toda a minha admiração por isso. Vamos ao enredo: uma morta chamada Sônia é a protagonista desta excelente peça. Isso mesmo. Mas não há tanto foco no mundo espiritual, e mais na crítica social que o autor quis fazer, e o fez com sucesso. A morta tenta reavivar sua memória, para entender o que aconteceu, tenta juntar os pedaços de coisas, imagens, sons e pessoas que fizeram parte de sua vida e que se embaralham em suas lembranças, tudo isso tendo relação com a música Valsa n.6 de Chopin. Ela odeia o nome Sônia, que não consegue relacionar consigo mesma; esqueceu-se de si, esqueceu-se do próprio nome no pós-vida. Minhas humildes impressões da obra: É uma peça ao mesmo tempo simples de entender e complexa. Simples principalmente para aquele leitor que está habituado com a escrita de Nelson; complexa para quem tem dificuldade de relacionar a peça com elementos psicológicos. Entendi que a menina Sônia deve ter sofrido algum trauma, com certeza algo de fundo sexual, talvez relacionado a algum abuso cometido por um homem mais velho, pois ela diz sentir medo do médico da família, o dr. Junqueira, e fica histérica até quando dizem que ele vai examinar suas amígdalas. Qual seria a origem desse medo? A conclusão de um possível abuso parece ser a mais óbvia. A protagonista tenta relembrar quem é Paulo, um personagem que pode ter sido seu noivo, ou algum outro homem importante em sua vida, por quem sente um feroz misto de ódio e amor. Ela lembra-se de sentir adoração por esse misterioso Paulo de cujo rosto ela não se recorda; fantasia ter sido traída por Paulo. No final, há o desenrolar de toda a tragédia, de maneira bastante exagerada, bem rodriguiana mesmo. Fiquei sem fôlego quando acabei de ler.

    12 curtidas

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    3.8 / 458
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    • 1 estrelas2%
    Nelson Falcão Rodrigues profile picture

    Nelson Falcão Rodrigues

    Foi um jornalista e escritor brasileiro. Grande nome da literatura brasileira, consagrou-se especialmente através de seus contos e peças teatrais. Colunista de sucesso em sua época, também destacou-se nas crônicas esportivas, folhetins e romances, estes últimos, sob pseudônimos de Myrna e Suzana Flag. Foi o mais revolucionário personagem do teatro brasileiro, abrindo as portas à moderna dramaturgia no país. Trabalhou nos grandes jornais do Rio de Janeiro. Percorreu, contudo, um árduo itinerário, marcado pelas tragédias familiares e pela crítica equivocada da época, vinda tanto de militantes políticos comunistas como conservadores. Iniciou sua carreira jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia no jornal de seu pai, tendo apenas treze anos e meio.

    102 Livros
    784 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Nelson Falcão Rodrigues