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    O Zero e o Infinito -

    Arthur Koestler

    Globo
    1987
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-10: 8525002623
    Português Brasileiro
    4.3
    178 avaliações
    Leram288Lendo58Querem1009Relendo2Abandonos9Resenhas22
    Favoritos12Desejados1009Avaliaram178

    Um desses livros que ultrapassam sua época. Escrito a partir da dramática experiência de um homem aprisionado sob os famosos Processos de Moscou, não é apenas um retrato de uma nação e seu sistema político, mas também, e principalmente, o retrato de um indivíduo em conflito com seu papel no contexto histórico maior. Em O zero e o infinito , Koestler apresenta a problemática do amor, da verdade e da organização social, através dos pensamentos do velho bolchevique Rubachov, que aguarda julgamento na prisão de uma Moscou que talvez não perdoe.

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    Resenhas (22)Ver mais
    Gabriel Carrara Vieira picture
    Gabriel Carrara Vieira02/03/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ilusão do 'eu', realidade do 'nós'

    Quando decidiu criticar o regime soviético stalinista, o autor anglo-húngaro Arthur Koestler estava, já em 1940, revendo certas posturas da União Soviética. Quase 70 anos depois, parece natural e óbvio criticar um regime que matou algo em torno de 20 milhões de russos, boa parte durante Stalin; mas nos anos 40, e principalmente 50 e 60, soova burguês, anti-revolucionário e pró-imperialismo ianque. Koestler, contudo, estava longe de ser um pequeno burguês. Sua crítica é de alguém que esteve próximo aos Grandes Expurgos, que viu a própria URSS remodelar de modo assustador seu próprio passado. Seu protagonista, Rubashov, de acordo com George Orwell, "poderia ser chamado de Trotsky, Bukharin, Rakovsky". Embora seja uma tragédia anunciada desde a primeira página, "O Zero e o Infinito" não recorre a descrições de brutalidade e tortura gratuita. Sua grande virtude é não utilizar do choque fácil da dor física, mas descrever a requintada frieza de um pogrom silencioso. Rubashov, por ser um dos últimos a ser preso, sabe que não lhe será dado o perdão: "o horror que emanava do N.º 1 consistia, sobretudo, na possibilidade de que estivesse com a razão, e de que todos quantos matava tivessem de admitir, mesmo com a bala na nuca, que era concebível que estivesse com a razão" (p. 23). Com uma prosa direta e bem fluida, Koetler acerta a mão em um estilo quase "invisível", deixando seu objeto de crítica sob os holofotes, sem miçangas. A discussão do método soviético, que se segue por toda a obra, vale por uma aula de história, mas também aponta para questões de cunho filósofico: bendito seja o tradutor francês que optou por "Le Zéro et l'Infini" em detrimento do burocrático "Darkness at Noon". Após a leitura, repensar sobre a relação de valores entre Zero, Infinito e Um (não nomeado, mas é Stalin) toma proporções filosóficas bem mais amplas. Ponto para Koetler.

    22 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 178
    • 5 estrelas46%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
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    Kösztler Artur

    Arthur Koestler foi um jornalista, escritor, e ativista político judeu húngaro radicado no Reino Unido. Filho de pai húngaro e mãe vienense, ambos judeus, viveu na Hungria até a queda do governo comunista de Béla Kun. Refugiou-se inicialmente em Viena, mas posteriormente viveu em outros países europeus como França e Reino Unido. <br>Dedicou-se durante esses anos ao jornalismo e a movimentos políticos. Seu engajamento na defesa de Málaga lhe causou prisão pelas tropas de Francisco Franco e condenação à morte. Foi salvo graças à libertação pelas tropas inglesas. <br>No campo literário, produziu obras de forte cunho psicológico, mesclando criação e experiência vivida. A mais notória delas é <i>Darkness at Noon</i> (O zero e o infinito), uma crítica contundente ao despotismo stalinista, que lhe valeu a inimizade dos escritores Jean-Paul Sartre e Albert Camus. <i>Darkness at Noon</i> foi considerada um dos 100 melhores romances de todos os tempos pela editora americana Modern Library.

    19 Livros
    16 Seguidores

    Kösztler Artur