O Zero e o Infinito -

    Arthur Koestler

    Amarilys
    2013
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788520435946
    Português Brasileiro

    O zero e o infinito se passa em um país sem nome, dominado por um governo totalitário. Rubashov, antes um personagem poderoso no regime, percebe que sua situação mudou por completo quando ele é preso e julgado por traição. O embate dialético entre o indivíduo e a coletividade é o mote central de O zero e o infinito, o livro que provocou um verdadeiro cisma na esquerda europeia do pós-guerra. Visto como o romance fundamental sobre o período do Grande Expurgo stalinista e colocado par a par com obras marcantes do pensamento antiditatorial como A revolução dos bichos e 1984, a obra-prima de Arthur Koestler mantém seu vigor ainda hoje, não por ter sido tomada como instrumento ideológico, mas por ser um fino estudo literário sobre um homem só diante de uma decisão impossível.

    Edições (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (5)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (22)Ver mais
    Gabriel Carrara Vieira picture
    Gabriel Carrara Vieira02/03/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ilusão do 'eu', realidade do 'nós'

    Quando decidiu criticar o regime soviético stalinista, o autor anglo-húngaro Arthur Koestler estava, já em 1940, revendo certas posturas da União Soviética. Quase 70 anos depois, parece natural e óbvio criticar um regime que matou algo em torno de 20 milhões de russos, boa parte durante Stalin; mas nos anos 40, e principalmente 50 e 60, soova burguês, anti-revolucionário e pró-imperialismo ianque. Koestler, contudo, estava longe de ser um pequeno burguês. Sua crítica é de alguém que esteve próximo aos Grandes Expurgos, que viu a própria URSS remodelar de modo assustador seu próprio passado. Seu protagonista, Rubashov, de acordo com George Orwell, "poderia ser chamado de Trotsky, Bukharin, Rakovsky". Embora seja uma tragédia anunciada desde a primeira página, "O Zero e o Infinito" não recorre a descrições de brutalidade e tortura gratuita. Sua grande virtude é não utilizar do choque fácil da dor física, mas descrever a requintada frieza de um pogrom silencioso. Rubashov, por ser um dos últimos a ser preso, sabe que não lhe será dado o perdão: "o horror que emanava do N.º 1 consistia, sobretudo, na possibilidade de que estivesse com a razão, e de que todos quantos matava tivessem de admitir, mesmo com a bala na nuca, que era concebível que estivesse com a razão" (p. 23). Com uma prosa direta e bem fluida, Koetler acerta a mão em um estilo quase "invisível", deixando seu objeto de crítica sob os holofotes, sem miçangas. A discussão do método soviético, que se segue por toda a obra, vale por uma aula de história, mas também aponta para questões de cunho filósofico: bendito seja o tradutor francês que optou por "Le Zéro et l'Infini" em detrimento do burocrático "Darkness at Noon". Após a leitura, repensar sobre a relação de valores entre Zero, Infinito e Um (não nomeado, mas é Stalin) toma proporções filosóficas bem mais amplas. Ponto para Koetler.

    22 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 178
    • 5 estrelas46%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%