Platão (Os Pensadores #3) - Diálogos

    Platão

    Abril Cultural
    1983
    266 páginas
    8h 52m
    Português Brasileiro

    Seleção de textos e introdução por José Américo Motta Pessanha. 1. O banquete ::: Num de seus mais belos e importantes diálogos, Platão descreve a conversação entre Sócrates, Agatão, Alcibíades e outros, a respeito do amor. Ao desenvolver o tema, Sócrates apresenta a famosa concepção do amor que lhe fora transmitida por Diotima de Mantinéia: o amor como uma ascese que, partindo da contemplação dos belos corpos, alça-se gradativamente até chegar à visão do princípio eterno de todas as coisas belas, o belo em si. 2. Fédon ::: Na prisão, à espera do momento em que beberá a cicuta, Sócrates debate com amigos a questão que se fizera presente e inadiável: a morte. O diálogo relata ainda o encantamento e a posterior decepção que Sócrates, na mocidade, experimentara em relação à concepção física de Anaxágoras. O caminho socrático retomado e desenvolvido por Platão será construído noutra direção: com o conhecimento concebido como reminescência, com a ascese dialética semelhante à dos geômetras e com a doutrina das ideias. 3. Sofista ::: O método da divisão é utilizado para a definição de sofista. A oposição verdade-erro, inerente ao combate socrático-platônico aos sofistas (vistos como mercadores de falsidades), renova-se nessa etapa final do platonismo. Para isso, a noção de não-ser é completamente reformulada: o não-ser não é mais o inexistente, tornando-se o outro, a alteridade, um dos gêneros supremos. 4. Político ::: Platão retoma um dos temas centrais de sua reflexão filosófica: a caracterização do político e da arte de governar. O diálogo serve ainda para exemplificar o papel representado pelo paradigma e pelo mito na construção da dialética platônica.

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    Clio24/04/2021Resenhou um livro
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    O volume da coleção Pensadores intitulado Platão traz Eutífron, Apologia de Socrates, Críton e Fédon, além de uma bibliografia básica como era parte de sua proposta. Há um motivo para esses terem sido os textos escolhidos e um porquê dessa ordem: trata-se da preocupação sobre o julgamento e a punição de Sócrates. Em Eutífron temos um diálogo socrático sobre a natureza da Piedade. Seria ela um dom ou um desejo divino? Aqui é pesada a referência a discussão sobre Justiça e Ética já presentes em sua outra obra "A República". A Apologia de Sócrates é a transcrição do discurso de seu mentor durante seu julgamento afinal, acusado de corromper a juventude e de se apresentar como sábio. Uma coisa que deve-se manter em mente é que a noção de corrupção da doutrina divina na Antiguidade estava em conjunção com o questionamento da própria sociedade. Da mesma forma, apresentar-se como sábio ultrapassava o adjetivo e o lucro. Era uma forma de moldar a mentalidade e influenciar socialmente. Poucos tinham esse título justamente pelo controle do aprendizado exercido pelo governo. Críton é a justificativa de Sócrates para sua obediência ao veredito ateniense. É uma ótima argumentação sobre como as leis regem a sociedade, e como a conduta ética não deve se submeter a reações emocionais. O último texto, Fédon, é um relato dos últimos momentos de Sócrates onde ele discursa a um grupo de amigos sobre a imortalidade da alma e a fidelidade a filosofia. É basicamente uma ode de amor à curiosidade. A dificuldade de leitura não é grande comparada a outros trabalhos; a necessidade de suporte para seu entendimento é relativamente baixa visto que há uma certa queda na citação de nomes e eventos. Contudo, é um texto denso, pode exigir um pouco mais daqueles não acostumados com textos filosóficos.

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