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    Terra e cinzas -

    Atiq Rahimi

    Estação Liberdade
    2001
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-10: 8574480533
    Português Brasileiro
    3.9
    184 avaliações
    Leram264Lendo10Querem154Relendo0Abandonos2Resenhas22
    Favoritos14Desejados154Avaliaram184

    Um ancião num vale esquecido à beira de um rio ressecado. Um menino que não ouve mais. Uma cabana de vigia à entrada de uma mina. E nada mais, além do pranto em meio ao vento árido do vale desértico. Do escritor e cineasta afegão Atiq Rahimi nos vem um dos mais belos panfletos antiguerra de que se tem notícia. Pois o velho e seu neto estão aguardando, num passar do tempo raro na literatura mundial, uma carona para a mina onde está trabalhando o filho do primeiro e pai do segundo, com a incumbência de anunciar a ele que a família morreu num ato de guerra. Mas a sabedoria e a piedade somem com as palavras, emudecem o velho, que não sabe como abordar a questão. Não quer apunhalar o filho com um golpe de misericórdia. O vilarejo destruído está para todos os vilarejos destruídos e todas as famílias aniquiladas de todas as guerras do mundo. No caso, o pano de fundo é o conflito gerado durante o regime pró-soviético no início dos anos 1980. Mas os sinais e o opressor de plantão são intercambiáveis, e são o que permanece desta ardente e bela leitura que nos faz mergulhar no mundo de antigos contos persas (Atiq Rahimi: “às perguntas políticas dos jornalistas, respondo com contos persas.”) Terra e cinzas é um elegante e sutil grito para que parem bombardeios e matanças, que geram tanta dor e ódio. “Sabe, pai, a dor é assim, ela derrete ou escorre pelos olhos, ou ela se transforma em bomba dentro do peito, uma bomba que explode num belo dia e te faz explodir também...”

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    Resenhas (22)Ver mais
    Vania Cristina Ribeiro picture
    Vania Cristina Ribeiro14/07/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Triste novela afegã

    O autor nasceu em Cabul, no Afeganistão, e vive na França como exilado político, onde atua como escritor e cineasta. Escreveu essa pequena novela na sua língua natal, o dari, mas essa edição é traduzida do francês. Notas contribuem com o entendimento de expressões afegãs e da cultura local. A história, muito triste, fala sobre um velho cuja aldeia foi destruída pelos soldados russos. Toda a sua família morreu, com exceção do filho, que trabalha numa mina distante, e do neto pequeno, que ficou surdo no ataque. Para o menino, o mundo teve a voz roubada pelos soldados. Para os personagens da história é difícil seguir em frente, encontrar sentido nas coisas, sobreviver à poeira do deserto. Difícil ouvir, difícil falar. Estão todos solitários, tentando entender a dor. O velho e o neto seguem adiante convivendo com lendas populares, com a droga recreativa, com sonhos confusos, e com fantasmas, dos vivos e dos mortos.

    14 curtidas

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    3.9 / 184
    • 5 estrelas23%
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    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
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    Atiq Rahimi

    Atiq Rahimi é um escritor e cineasta afegão nascido em Cabul, Afeganistão, no ano de 1962. Tem dupla nacionalidade francesa e afegã. Durante a guerra nos anos 80 saiu de seu país, já que estudou em uma escola franco-afegã, refugiou-se na França, onde vive até hoje. Apesar de falar francês fluentemente, escreve em dari, língua falada no norte, noroeste do Afeganistão. Não só é formado em Letras, mas também em cinema, está produzindo um filme de seu primeiro romance publicado, Terra e Cinzas. Existem quatro livros publicados no Brasil, Terra e Cinzas, As Mil Casas do Sonho e do Terror, Syngué sabour - Pedra de paciência e Maldito Seja Dostoiévski, todos pela Editora Estação Liberdade. Foi vencedor do Prêmio Goncourt em 2008 pelo seu livro «Syngué sabour. Pierre de patience» o primeiro escrito em francês.

    15 Livros
    11 Seguidores

    Atiq Rahimi