Disclaimer: É um livro interessante, bom, mas que somente deve ser lido por aqueles capazes de se abstrair da mentalidade dos dias de hoje e compreender a cultura, a mente da época que foi escrito.
Nos dias de hoje, Fragoso jamais seria o herói em uma história. Seu comportamento em relação aos indígenas brasileiros e a própria floresta (que estranhamente idolatram, mas desrespeitam) é vergonhoso. Mas a história foi escrita em 1930 e se passa em 1920.
Para lê-la, é preciso estar ciente disso. As pessoas mudaram (Graças a Deus mudaram!), mas olhar o passado com os olhos de hoje ou tentar reescrevê-lo é tolo. O passado nos trouxe até aqui; ao esquecê-lo ou adequá-lo, corremos o risco de repetir erros... Esclarecido isso, vamos ao livro.
É um livro curto que se lê rapidamente. O início, onde há mais ação, estranhamente é onde ela se arrasta. Ciente de que estamos numa fantasia, queremos algo mágico, não a matança sem sentido de soldados e indigenas.
Contudo a parte fantástica do livro, não é mágica. Mesmo que se trate de uma ficção científica, esperava algo mais fantástico. Foi apenas um longa e filosófica discussão sobre humanidade entre dois seres em diferentes estágios da evolução humana.
Concordo com ao autor que nosso caminho evolutivo nos levará a uma sociedade desumana, racional e pragmática, mas imaginei que isso serviria de revelação a Fragoso. Ele perceberia que, assim como aqueles seres os desconsideravam e os viam como inferiores, era assim que ele tratava os indígenas. Porém, isso não aconteceu e foi bem desapontante. Ao fim, o personagem principal não evoluiu em nada. Uma pena, seria um final mais interessante para uma discussão que não levou a lugar nenhum. Mas a discussão valeu pena. Mesmo que desatualizado pelo tempo, os diálogos as observações dos humanos dos anos 3000 ainda são válidas e merecem reflexão.