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    Nove ensaios dantescos & A memória de Shakespeare (Biblioteca Borges) -

    Jorge Luis Borges

    Companhia das Letras
    2011
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788535919905
    Português Brasileiro
    4.3
    100 avaliações
    Leram166Lendo8Querem210Relendo1Abandonos1Resenhas8
    Favoritos10Desejados210Avaliaram100

    Volume da Biblioteca Borges que reúne ensaios sobre Dante, primeiramente coligidos em 1982, o celebrado conto "A memória de Shakespeare" e outros três contos fantásticos. Ainda muito moço, Borges começou a percorrer a árdua topografia do mundo dantesco ao longo das viagens de bonde que o levavam ao trabalho cotidiano na sucursal Miguel Cané da biblioteca municipal de Buenos Aires. Descobriu então que os labirintos em italiano se deixavam vencer pela percepção central da mais extraordinária poesia, como se fossem o simples percurso de uma viagem lúcida e reflexiva através de um outro e mesmo universo em que se espelha, conforme a visão do grande poeta italiano, a aventura do homem na Terra e depois da morte. Em 1982, os ensaios deste livro são como relatos que refazem, numa tela fragmentária, os sugestivos pormenores simbólicos da história dessa viagem, ao mesmo tempo comum e insólita. Depois vêm "A memória de Shakespeare" e mais três contos fantásticos, em que o tranquilo domínio do estilo e as pulsantes obsessões se casam a motivos recorrentes: "Shakespeare é meu destino", como se diz numa de suas páginas, mas além dele retornam a rosa, tantas vezes tematizada, os tigres, desta vez azuis e inalcançáveis, e o tema do duplo, que reescreve "O outro", do Livro de areia, de outra e mais complexa perspectiva. O conjunto formaria com algumas histórias não escritas um novo livro de contos, inacabado com a morte do autor em 1986.

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    Marcelo Henrique Marques de Souza14/04/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A memória de Borges

    O livro é muito bem escrito, o que é uma coisa óbvia, em se tratando do grande escritor argentino. A parte final, que traz quatro contos, sob o título de um deles, "a memória de Shakespeare", posso comentar de forma mais ampla. Pra variar, são textos brilhantes, povoados de lirismo, finas ironias e enredos extremamente originais. Na verdade, parece repetitivo, mas é isso: Borges era (e é) um gênio. A maneira como ele brinca com a própria identidade no primeiro conto, que tem uma data como título, "25 de agosto de 1983", é fora-de-série. O início do segundo conto, "tigres azuis", me fez refletir sobre a sobrevivência dos arquétipos. É um belo conto fantástico, no melhor estilo Borges. "a rosa de Paracelso" é uma bela lição sobre o valor das coisas. E "a memória de Shakespeare" é uma história que mostra o quanto Borges era mais sabido do que todos os neurologistas juntos, quando o assunto é a memória. Um conto brilhante, como todos os outros. Leia. Vale a pena.

    5 curtidas

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    4.3 / 100
    • 5 estrelas42%
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    • 2 estrelas2%
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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo profile picture

    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

    Mais conhecido como Jorge Luis Borges, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino. Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio international de editores, o Prêmio Formentor. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Morreu em Genebra, na Suíça, em 1986. Sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "boom latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: "Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo