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    Soldados de Salamina (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #13) -

    Javier Cercas

    Folha de S.Paulo
    2012
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788579490590
    Português Brasileiro
    4
    352 avaliações
    Leram467Lendo30Querem670Relendo1Abandonos11Resenhas41
    Favoritos7Desejados670Avaliaram352

    "Não é um romance, é uma narrativa real", esclarece Javier Cercas, personagem do romance "Soldados de Salamina", toda vez que conta a alguém que prepara um livro sobre o escritor Rafael Sánchez Mazas (1894-1966). Acontece que Javier Cercas é também o nome do autor de "Soldados de Salamina". A partir de seu homônimo fictício e da fabulosa história real de Sánchez Mazas, sobrevivente de um fuzilamento e fundador da Falange franquista, Cercas faz uma reflexão autoirônica sobre a escrita e lança um corajoso olhar revisionista sobre a memória de um país dividido pela Guerra Civil (1936-1939). Este romance de 2001 pôs seu autor, catalão nascido em 1962, entre os grandes nomes da atual literatura espanhola e estimulou a celebração tardia do escritor Roberto Bolaño (1953-2003). O chileno, de quem Cercas era amigo, adentra a ficção resumindo a dicotomia "romance" versus "real": "Dá na mesma. Todas as boas narrativas são narrativas reais, pelo menos para quem lê, que é o único que conta".

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo11/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A arte de tornar o passado presente

    Um romance político que exige um leitor atento. Assim defino "Soldados de Salamina", livro dotado de uma narrativa eloquente e ágil. Javier Cercas parte de uma premissa instigante: o que leva alguém numa guerra a deixar de matar o inimigo? É a partir desse ponto que somos convidados a uma busca por respostas através de uma voz narrativa que conduz com competência nossos movimentos, pensamentos e elucubrações. Cercas está interessado, assim como seu compatriota Javier Marías, em refletir sobre a difícil distinção entre realidade e imaginação. E, assim como nosso João Ubaldo, que dedicou um épico esforço para construir sua obra-prima, "Viva o povo brasileiro", Cercas questiona a importância daquilo que é reportado ou ensinado como história e o que podemos realmente chamar de verdade. E a pergunta do autor é clara nesse sentido: o que faz de alguém um herói, ainda mais numa guerra? Cercas deixa algumas pistas como respostas nas linhas de algumas personagens. Mas o livro está muito além da política, pois o autor propõe uma meditação sobre a linguagem. Cercas testa estilisticamente o texto com o leitor. Há um livro dentro do livro. Há uma mescla, em determinados momentos, de reportagem e ficção, tornando-se uma espécie de thriller político, uma “narrativa real”. Nosso narrador, em uma das três partes, chama-se Javier Cercas e personagens reais são inseridos a favor da ficção, como o fascista espanhol Rafael Sánchez Mazas e até o escritor chileno Roberto Bolaño. São os jogos que movimentam a trama (e nossos olhos). O terço final é uma espécie de recompensa aos leitores. Afinal, ao chegarmos na última página da narrativa semi-ficcional de Cercas, concluímos o que minha epígrafe preferida profetizou para a eternidade, que "O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias." E Cercas entendeu muito bem isso.

    146 curtidas

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    Avaliações

    4 / 352
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Javier Cercas Mena profile picture

    Javier Cercas Mena

    Javier Cercas é reconhecido por explorar em seus livros os limites entre a realidade e a ficção. Doutor em Filologia Hispânica pela Universidade Autônoma de Barcelona, teve sua obra traduzida para mais de 30 idiomas. É colaborador do jornal El País desde 1999, e atuou como professor nas universidades de Illinois nos Estados Unidos e de Girona na Cataluña. Publicou romances, afora livros de contos, ensaios e crônicas. <i>Soldados de Salamina</i>, sua obra mais conhecida, best-seller na Espanha, conquistou prêmios pelo mundo e ganhou adaptação para o cinema. Entusiasta da literatura norte-americana, Cercas é dono de um estilo particular: os protagonistas de seus livros costumam levar as características e às vezes o próprio nome do escritor. Quando apareceu no meio literário, sua escrita gerou comentários entusiasmados da parte de Mario Vargas Llosa, J. M. Coetzee, Doris Lessing ou Susan Sontag. Discípulo de Miguel de Cervantes e amigo do escritor chileno Roberto Bolaño, que o incentivou a seguir com a carreira literária, usa a literatura para propor uma reflexão sobre o passado da Espanha e do mundo ocidental e sua relação com o presente. É autor de <i>O impostor</i>, <i>O ventre da baleia</i>, <i>A velocidade da luz</i> e <i>Anatomia de um instante</i>, livro que venceu o Prêmio Nacional de Narrativa da Espanha. Javier Cercas defende que o problema de sermos incapazes de encarar nossa própria história é uma questão não só da Espanha, mas de todos os países. Seu livro mais recente, <i>El monarca de las sombras</i>, publicado em 2017 e não traduzido para o português, aborda novamente o tema da guerra civil espanhola, momento histórico que marcou o seu país e a sua família.

    52 Livros
    51 Seguidores
    Cáceres, Espanha

    Javier Cercas Mena