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    Crítica da Razão Cínica -

    Peter Sloterdijk

    Estação Liberdade
    2012
    720 páginas
    1d 0h 0m
    ISBN-13: 9788574482095
    Português Brasileiro
    4.3
    17 avaliações
    Leram34Lendo28Querem429Relendo2Abandonos1Resenhas2
    Favoritos4Desejados429Avaliaram17

    Em 1983, Peter Sloterdijk vira estrela da filosofia contemporânea com um calhamaço insolente. Partindo de uma reflexão sobre o Crítica da razão pura de Kant por ocasião dos 200 anos de sua publicação, Sloterdijk destrincha e recompõe o legado da filosofia ocidental de cunho racionalista e progressista, rompendo com criatividade os moldes clássicos de argumentação de Adorno e Horkheimer, de Sartre e de Foucault. Crítica da razão cínica alcançou sucesso imediato de vendas: seu conteúdo arrasa-quarteirão e seu tom irreverente implodiram os cânones da filosofia bem-pensante. Com 150 mil exemplares vendidos na época do lançamento, tornou-se o livro de filosofia mais vendido desde a Segunda Guerra na Alemanha e projetou Sloterdijk como autor cult. Frequentemente provocador e sempre perspicaz, o filósofo alemão desconstrói as raízes do Esclarecimento, que, ao solapar os idealismos vigentes, plantou os alicerces do niilismo moderno e um cinismo generalizado. Na esteira, Sloterdijk contrapõe o bem-humorado kynismos grego, por vezes mal-educado, ao cinismo moderno, superado em qualidade pela sabedoria irreverente dos antigos — a começar pela pregação do grego Diógenes, peça importante no tabuleiro da presete “crítica”. Na Primeira Parte da obra, “Cinco considerações prévias”, Sloterdijk expõe os conceitos de cinismo e kynismos, analisa o legado do Esclarecimento na acepção de Kant e o avento do cinismo na modernidade, revê Nietzsche, se despede de Adorno e da Teoria Crítica e retoma com Heidegger. Na Segunda Parte, mais extensa, discute o cinismo “aplicado”, estruturando a crítica do cinismo em quatro “partes principais” — fisionômica, fenomenológica, lógica e histórica —, e nos contempla com digressões (“Excursos”) avassaladoras. Sloterdijk se serve de exemplos na rica cultura dos anos 1920, como dadaísmo, expressionismo, a paradigmática República de Weimar e até mesmo a cultura proletária da negação burguesa, para questionar o racionalismo reinante que levou aos excessos ideológicos que marcaram o século XX. A respeito do cinismo, Sloterdijk comenta em entrevista a Elisabeth Lévy, na revista Le Point: “Nunca fui um verdadeiro cínico. Não tenho os meios. Efetivamente, um cínico coerente exige qualidades físicas e morais que não tenho. O último verdadeiro grande cínico de nossa época foi Cioran, que levava uma vida monástica informal. Mas ser o monge de um desespero privado custa caro, pois você é confrontado todos os dias a refutações de sua escolha, à prova que a felicidade não está tão distante, tão transcendente. O cinismo é a decisão de não se dissolver na felicidade.”

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    Resenhas (2)Ver mais
    Paulo Lima picture
    Paulo Lima11/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sapere Audi

    "Esse continua sendo o lema de um Esclarecimento que também resiste em meio ao lusco-fusco dos mais modernos perigos da intimidação por meio do catastrófico. É só a partir de sua coragem que pode-se desenvolver ainda um futuro que seja mais do que a reprodução ampliada do pior dos passados. Tal coragem nutre-se das correntes que se tornaram tão tênues da lembrança de um poder estar em ordem espontâneo da vida que não tenha sido feito por ninguém. Com um intuito terapêutico, onde as antigas doutrinas tentaram falar de uma razão objetiva, elas também queriam nós lembrar que, em um mundo inteiramente alienado, desde o começo da era da cultura elevada, as coisas talvez possam voltar a fluir e a alcançar a sua ordem, se nós nós desarmarmos como sujeitos e abandonarmos os ativismos destrutivos e travestidos de seriedade em proveito do deixar-ser"

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    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas6%
    Peter Sloterdijk profile picture

    Peter Sloterdijk

    É um filósofo alemão. É considerado um dos mais importantes renovadores do pensamento filosófico da atualidade pelo menos desde a publicação de 'Crítica da Razão Cínica', que alcançou sucesso imediato, tornando-se o mais vendido livro de filosofia na Alemanha no último meio século. Notabilizou-se por defender o retorno a um maior rigor filosófico e, em bom iconoclasta, posiciona-se contra os nivelamentos por baixo reinantes na academia e na vida pública. Leciona na Universidade de Viena e na Escola Superior de Artes Aplicadas de Karlsruhe, cuja reitoria assumiu em 1999. Dirige também o programa Quarteto filosófico na cadeia de televisão estatal alemã ZDF.

    27 Livros
    34 Seguidores
    Baden-Württemberg, Alemanha

    Peter Sloterdijk