Seara Vermelha não é mais um livro sobre os problemas da desertificação na Caatinga, mas sim uma exposição de como os ainda existentes grandes latifundiários - os coroné e os doutô - foram e ainda são responsáveis pela retração de uma das áreas mais pobres do país. A narrativa é fundamentada sobre a família de Jucundina que vai aos poucos se fragmentando pela miséria local e depois migra ao ser expulsa de suas terras. A caminhada entre o nordeste e São Paulo, essa via sacra de torturas, termina por enfraquecer laços e levar os indíviduos mais fracos numa exposição de doenças, costumes e revolta. A corrupção do litoral que força ainda mais a moral da família só é contraposta por dois fenômenos, o cangaço e o beatismo. Há uma certa romantização de ambos, porém o autor manteve o estilo da escrita carregado de violência explicíta. Não é um dos trabalhos mais conhecidos de Jorge Amado, talvez por não ter a carga erótica de seus escritos posteriores ou por ser menos sútil em seu posicionamento político. De minha parte, recomendo.
Seara Vermelha -
Jorge Amado
Record
1984
335 páginas
11h 10m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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