No bonde, Alfredo recolheu-se, sem mais aquela sensação de que o elétrico, com sua velocidade e rumor, quebrava a vidraça das janelas, impressão esta que levara de Belém quando pixote e sempre recordada em Cachoeira. Até que o bonde ia vagaroso. E meio sujo, seus passageiros afundavam-senum silêncio e apatia indefiníveis. Pareciam fartos de Belém enquanto seguia com uma crescente gula da cidade. O bonde cuspindo gente, mergulhava nas saborosas entranhas de Belém, macias de mangueiras(…) Passaram pelo Largo de Nazaré, a Basílica em tijolos ainda, a antiga igreja ao lado. Cobrindo o Largo, mais monumentais que a Basílica, as velhas sumaumeiras. À esquina da Gentil com a Generalíssimo, saltaram. A cidade balançava ainda. Ou estava tonto com os cheiros de Belém? *** “Com a publicação recente de “Belém do Grão-Pará”, que pertence ao primeiro ciclo de romances do Extremo Norte – do qual fazem parte “Chove nos Campos de Cachoeira”, “Marajó” e “Três Casas e Um Rio” – Dalcídio Jurandir firma definitivo o seu nome como introdutor da paisagem urbana da Amazônia na literatura brasileira de ficção.” - Benedito Nunes, filósofo e escritor. “Em sua projeção episódica, em determinadas áreas um “romance de costumes” e em outras áreas um “romance social” esse Belém do Grão-Pará – sempre a crônica documentária de uma cidade – tem muito de um romance psicológico em conseqüência do menino.” - Adonias Filho, jornalista e escritor “ … Dalcídio Jurandir, um dos maiores representantes da nossa literatura.” - Moacir Costa Lopes, escritor
Belém do Grão-Pará (Ciclo do Extremo-Norte #4) -
Dalcídio Jurandir
Martins
1960
358 páginas
11h 56m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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