Em Belém do Grão Pará, lê-se, ao mesmo tempo, a história dos Alcântara, uma família de classe média, decaída do alto status social que tivera no governo do Prefeito Antônio Lemos, durante a alta da borracha, e a história da Belém dos anos 20, já decadente, mas com a estampa moderna parisiense que nela imprimira aquele Prefeito. Na tentativa de recuperar, pelo menos, a aparência da posição perdida, os Alcântara, sob a inspiração da fútil e gorda filha do casal, mudam-se da obscura rua onde moravam para a Av. Nazaré, onde se concentravam os ricaços, em geral fazendeiros da ilha do Marajó, mas vão ocupar aí uma casa em ruína, devorada pelos cupins. Quando a nova e chique residência ameaça desabar, a família, com a ajuda dos empregados, carrega, de noite, os poucos móveis que lhe restam, para a acolhedora sombra das mangueiras, à beira da calçada.
A leitura foi boa porque a linguagem é acessível. A história prende a atenção do leitor, principalmente porque se passa em uma Belém da época do boom da borracha, que as pessoas só conhecem pelos livros de história e por fotografias em preto e branco (eu particularmente adoro ver o Álbum de Belém, uma coleção de fotografias antigas da minha cidade e ver as mudanças nos nomes das ruas, como as praças eram antes, etc.).
Outro ponto forte do livro é que ele apresenta um glossário com palavras que podem ser estranhas ao leitor de outro estado e uma lista de topônimos com descrições dos lugares que fazem parte da geografia paraense.