No bonde, Alfredo recolheu-se, sem mais aquela sensação de que o elétrico, com sua velocidade e rumor, quebrava a vidraça das janelas, impressão esta que levara de Belém quando pixote e sempre recordada em Cachoeira. Até que o bonde ia vagaroso. E meio sujo, seus passageiros afundavam-senum silêncio e apatia indefiníveis. Pareciam fartos de Belém enquanto seguia com uma crescente gula da cidade. O bonde cuspindo gente, mergulhava nas saborosas entranhas de Belém, macias de mangueiras(…) Passaram pelo Largo de Nazaré, a Basílica em tijolos ainda, a antiga igreja ao lado. Cobrindo o Largo, mais monumentais que a Basílica, as velhas sumaumeiras. À esquina da Gentil com a Generalíssimo, saltaram. A cidade balançava ainda. Ou estava tonto com os cheiros de Belém?
Belém do Grão-Pará (Ciclo do Extremo-Norte #4) -
Dalcídio Jurandir
Europa-América
1974
323 páginas
10h 46m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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