As cartas das heroínas de Ovídio foram escritas provavelmente entre 20 e 16 a.C., o livro é uma seleção de 15 poemas epistolares que o autor traz como se fossem escritas pelas heroínas da mitologia grega e da mitologia romana. Elas são a contraparte das histórias dos heróis; as heroínas que foram largadas a própria sorte, desonradas e postas de lado restando a elas como único recurso escrever para seus amantes.
E ainda possui uma segunda parte com 6 poemas adicionais, compostos por trocas de cartas entre célebres casais.
Exemplo de algumas cartas:
•Penélope fala para Ulisses de sua sorte, cercada por pretendentes gananciosos e tendo que recorrer a artimanhas para evitar ser desposada novamente.
•A carta de Fílis para Demofoonte é comovente e revoltante; ela, assim como Dido fez com Enéias, acolheu como hóspede um viajante que a desposou e partiu, deixando-a sozinha e arruinada a ponto de se entregar à morte.
E é dessa carta que vem a frase que erradamente é atribuída a Nicolau Maquiavel... em uma passagem Fílis pergunta para seu marido Demofoonte: “Os fins justificam os meios? Quero que fracasse aquele que pensar desse jeito”.
•Na carta de Briseis para Aquiles, ela cita a cólera desenfreada e o ressentimento do guerreiro que o impedem de perdoar Agamêmnon e recebê-la novamente em seus braços.
Esses são apenas alguns exemplos do desabafo das mulheres que foram deixadas à espera do retorno de seus amantes, e que relatam os sofrimentos e provações pelos quais tiveram de passar durante a ausência insensata daqueles a quem haviam entregue seus corações.
São cartas imaginadas por Ovídio com uma profundidade de sentimentos impressionante; revelando a revolta, o amor, a saudade e a devoção incondicional das heroínas da mitologia.
O autor consegue comover ao mostrar os dramas da sensibilidade feminina, acrescentando partes da história dessas mulheres que não são encontradas em outras literaturas. Aqui ele recria e amplia o universo mitológico feminino de forma inovadora, mostrando a tragédia de personagens que só conhecemos das narrativas superficiais inseridas nos mitos.
A tradução dessa edição é maravilhosa e possui uma linguagem atual e acessível que deixa a leitura mais prazerosa e imersiva! Eu gostei muito da carga emocional contida em cada carta e me emocionei muito com algumas.
Esse livro é um grande clássico que merece ser lido por todos... Recomendo.