Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.
A Morte de Ivan Ilitch (Coleção Saraiva #184) -
Leon Tolstoi
Resenha de A Morte de Ivan Ilitch
Haverá sempre algo iminente na morte, uma contemplação singular. Quando pensamos sobre esse tema há quase como se um arrebatamento para uma questão existencial a respeito de nossos propósitos, amores e atitudes. E em A Morte de Ivan Ilitch somos apresentados a algumas dessas sensações enquanto conhecemos a miséria de um homem que descobriu em seu falecer nunca antes ter vivido. Escrito por Liev Tolstói, um dos gigantes da literatura mundial e autor do clássico memorável Guerra e Paz, a obra publicada em 1886 conta a triste história de um empregado público o qual encontra-se com um misterioso problema de saúde e a partir disso passa a ver sua vida por lentes melancólicas. Com menos de 100 páginas, a novela é iniciada já com a confirmação da morte do protagonista. No primeiro capítulo somos expostos à narrativa em terceira pessoa com um foco em Piotr Ivanovich, grande amigo do falecido oficial o qual apesar da relação com o finado, tem a menor das intenções de ficar na cerimônia e sequer demonstra algum sentimento sincero. Após uma introdução constrangedora a qual mostra o desinteresse das pessoas pelo personagem principal, acompanhamos então, da infância até o trágico dia de sua partida, a vida de Ivan. “Agora era ele quem tinha de morrer. Comigo vai ser diferente- eu estou vivo”. Há aqui um duro relato, Liev faz questão de apontar muito mais a fundo não apenas os movimentos de cada sujeito, mas suas reais intenções e sentimentos. Notamos uma situação mascarada e fria, sem empatia, com uma fuga da realidade a qual está apenas em busca de rápidos entretenimentos e status, para dessa forma, fugir de uma verdade perturbadora. Essa característica traz um novo modo de ver o ambiente, passamos a obra nos perguntando o porquê de todos serem tão sarcasticamente distantes e se isso realmente acontece em nossa sociedade. Nesse contexto, temos outro bom atributo o qual auxilia nessa estrutura, estamos falando da escrita do autor. É realmente encantadora. A descrição de ocorridos e a sutileza pela qual vai moldando a história dão à obra uma naturalidade a qual dificilmente vai se tornar enjoativa ou passar a sensação de conto forçado para o leitor. Isso cria uma boa fluidez e gentileza de modo a termos a liberdade para durante a leitura voltarmos algumas páginas de vez em quando e reanalisar de maneira mais profunda aquilo acontecido. Como consequência desses fatores, há um certo distanciamento do leitor para com os personagens, pois ele aproxima-se muito mais do narrador e isso pode gerar uma falta de empatia com os indivíduos e prejudicar o processo de imersão literária. Apesar disso, esse elemento traz à tona um novo tom. A narrativa toma, nesse sentido, uma abordagem de análise contemplativa, muito mais que acompanhar, nós “estudamos” as atitudes de cada indivíduo. É difícil conseguir resumir as conclusões de A Morte de Ivan Ilitch em poucas palavras, mas se pudesse descrever com uma sensação, seria de constrangimento. De certa forma é humilhante ver alguém transformando o milagre da vida em uma maldição de máscaras para impressionar a sociedade e é mais humilhante ainda percebermos que se não nos cuidarmos para não cair em tais erros, a narrativa dessa obra pode no fim ser sobre nós. Um clássico o qual auto explica o sucesso no transcorrer de suas páginas, crítica atemporal ao comportamento humano. Para mais resenhas, acesse: aprendilendo.com.br
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