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    O barril mágico (Coleção Grandes Traduções) - Contos

    Bernard Malamud

    Record
    2007
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-10: 8501072257
    Português Brasileiro
    4.2
    35 avaliações
    Leram44Lendo3Querem73Relendo0Abandonos0Resenhas7
    Favoritos1Desejados73Avaliaram35

    Em O barril mágico, como é frequente em Malamud, quase todos os personagens são vítimas. O livro nos lembra a todo instante de que o mundo pode ser um lugar inóspito e arbitrário. As tragédias, grandes ou pequenas, são sempre devastadoras. Uma menina é espancada pela mãe por furtar balas que o dono do armazém lhe permitia, penalizado, que furtasse. O que um acadêmico frustrado possui de mais valioso, os originais de seu trabalho, é roubado e queimado. O dono de um minúsculo negócio morre por não ter dinheiro para pagar a consulta a um médico. Uma bela mulher escapa, como Eurídice, dos braços do homem que a ama. Os contos deste livro não se restringem ao tempo e aos lugares em que se passam. São histórias essenciais, porque tratam dos impulsos mais sombrios do ser humano - desonestidade, desconfiança, covardia, ódio. Esse é mais um título da Coleção Grandes Traduções, que reúne obras fundamentais de ficção e não-ficção, nunca lançadas no Brasil, com circulação restrita ou fora de catálogo, em edições traduzidas e comentadas.

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    jota 1126/04/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Histórias premiadas

    Os treze contos de O Barril Mágico deram o National Book Award de 1959 a Bernard Malamud (1914-1986). Depois, em 1966, sua obra-prima O Faz-Tudo (editora Record) rendeu-lhe o Pulitzer Prize e no ano seguinte novamente o National Book Award. Com esses livros Malamud ganhou também a admiração e o respeito de importantes personagens do mundo literário como Flannery O'Connor, Saul Bellow, Philip Roth, Paul Auster, Anthony Burgess e outros. Explica-se: são duas obras fundamentais em sua carreira, dividida entre romances e contos. O próprio Malamud deu a receita de sua escrita primorosa à Paris Review, numa entrevista em 1967: "Eu escrevo um livro ou um conto três vezes. A primeira para entendê-lo, a segunda para melhorar a sua prosa e a terceira para obrigá-lo a dizer o que ainda deve dizer." Está explicado então porque é tão prazeroso ler o autor nova-iorquino descendente de judeus russos. Os contos de O Barril Mágico, ainda que se desenvolvam quase sempre em ambientes de pobreza (às vezes até mesmo de miséria), sujos, feios, malcheirosos, e invariavelmente terminem de modo não muito feliz (ou infeliz mesmo), são extremamente bem escritos e interessantes e trazem personagens absolutamente instigantes para o leitor. Todos judeus, claro. Judeu como o inusitado anjo de asas negras que vive no Harlem e visita o desgraçado alfaiate Manischevitz em "Anjo Levine", talvez a história mais deprimente do livro. Acompanhamos também a via-crúcis de Carl, estudante de pós-graduação em busca de um imóvel para alugar em Roma, em "Eis a chave", uma história cômica e angustiante ao mesmo tempo. Ou ainda o apaixonado Freeman de "A dama do lago": com medo de ser rejeitado pela bela Isabella ele tenta esconder suas origens a todo custo e aí comete o grande erro de sua vida. É verdade que sobre o adolescente George, de "Um plano de leitura para o verão" (um dos mais curtos e leves contos da coletânea), não se pode dizer que o rapaz seja em essência um otimista, mas sua história é uma das poucas que termina, digamos assim, positivamente. Os personagens dos demais contos não são menos curiosos do que George, Levine, Carl ou Freeman: o leitor pode ter certeza disso. Ainda que Malamud quase sempre coloque seus personagens em ambientes hostis ou um tanto estranhos aos judeus (como ocorre nas histórias passadas na Itália), como vítimas da sociedade, de sua própria cultura ou etnia e de seu modo de viver e pensar, ainda que eles raramente sejam felizes no final, eu não ficava tão entusiasmado assim com um livro de contos desde a leitura tempos atrás do excelente Bola de Sebo e Outros Contos (editora Globo), do francês Maupassant. Assim, recomendo com entusiasmo as histórias de Bernard Malamud. Do mesmo modo que faz a escritora Jhumpa Lahiri, autora da Introdução que apresenta a obra aos leitores brasileiros nesta edição da Record. Ou, mais ainda, como escreveu Flannery O'Connor após ler O Barril Mágico: "Descobri um autor de contos que é o melhor em absoluto, inclusive melhor do que eu." Quer mais do que isso? Lido entre 24 e 26/04/2016.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 35
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Bernard Malamud

    Foi um romancista e contista americano de descendência russo-judaica. Nascido em Nova York, no bairro do Brooklyn, sua literatura é caracterizada por retratar heróis humilhados e em luta contra o próprio destino. Filho de um comerciante judeu, foi educado no Erasmus Hall High School (1928-1932). No período da Grande Depressão, trabalhou como operário para pagar os estudos. Entrou para o City College de New York (1932), onde recebeu o B.S. (1936). Entrou na Universidade de Colúmbia (1937) onde obteve o Master (1942) e tornou-se professor, especialmente de literatura, profissão que exerceu durante toda a vida, em Nova York, paralela à sua produção literária. Trabalhou em um escritório do Bureau of Census, Washington, D.C. (1940-1948), enquanto ensinava na Erasmus Hall High School. Começou a escrever (1941) e publicou seus primeiros trabalhos dois anos depois: Benefit Performance e The Place Is Different Now (1943). Casou (1945) com Ann de Chiara; de Greenwich Village, e depois ensinou na Harlem Evening High School (1948-1949) e no Oregon State College, Corvallis, Oregon (1949-1961). Depois disso ainda ensinou no Bennington College, Vt. (1961-1966 / 1968-1986), mas dedicou-se quase que exclusivamente a escrever e a viajar pela Europa, Rússia e Israel. Ganhou o National Book Award e um Prêmio Pulitzer com o romance The Fixer (1966), conhecido no Brasil como o famoso O Homem de Kiev. Seus principais romances foram The Natural (1952), The Assistant (1957), com o qual ganhou o prêmio Rosenthal daquele ano, A New Life (1961), Dubin's Lives (1979) e God's Grace (1982). à ficção curta, especialmente contos, marcada pela influência de Anton Tchékov e James Joyce, produziu as coleções The Magic Barrel (1958), com o qual venceu seu primeiro National Book Award (1963), Pictures of Fidelman (1969) e Rembrandt's Hat (1973). Morreu de ataque cardíaco, em New York, N.Y., deixando uma obra frequentemente marcada por motivos e temas judaicos.

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    7 Seguidores
    New York, EUA

    Bernard Malamud

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