O Seminarista (Coleção Prestígio) -

    Bernardo Guimarães

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    1990
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O Seminarista narra o drama de Eugênio e Margarida que, na infância passada no sertão mineiro, estabelecem uma amizade que logo vira paixão. O pai de Eugênio, indiferente aos sentimentos do filho, obriga-o a ir para um seminário. Dilacerado entre o amor e a religiosidade, Eugênio segue para o mosteiro. Embora todo o sofrimento da perda amorosa, o jovem dedica-se à vida espiritual e acaba ordenando-se sacerdote. Volta então à aldeia natal para rezar a sua primeira missa. Lá encontra a sua antiga paixão, Margarida, que está à beira da morte. Os dois não resistem ao impulso afetivo e mantêm relações. Em seguida, a heroína morre. Eugênio,ao iniciar a missa de um defunto,descobre que aquele era Margarida e assim enlouquece de dor afetiva e moral.Joga sua roupa de padre no chão e sai correndo pela porta principal da igreja.Desesperado.Sem controle.Estava louco. Apesar de sua dimensão melodramática, o romance apresenta uma das mais veementes críticas ao patriarcalismo, em toda a literatura do século XIX.

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    Clio picture
    Clio26/05/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O Seminarista é uma história singela, não de amor apesar de ser relacionado a ele. Essa obra, como outras pelas quais o autor é lembrado, retrata como a brutalidade, a estupidez das instituições pode destruir a vida das pessoas. Normalmente, qualquer obra que busque criticar a Igreja Católica ou o Patriarcado termina sendo rica em concupiscência e deboche, a História fornece relatos reais que influenciam os escritos. Contudo, Margarida não é uma Maria Madalena ou uma Jezabel, Eugênio não é um Padre Amaro; o amor deles é romântico, tímido, algo que lembra em muito a corte entre Bentinho e Capitu em seu início. E se a pressão e manipulação paterna e eclesiástica motivam a separação, a retidão moral dos protagonistas a prolonga. Há, obviamente, uma possibilidade de questionamento sobre essa posição, mas vale lembrar que a obra foi escrita em 1872 - se hoje a cultura luso-brasileira ainda foca na obediência familiar, quase um século e meio antes algo assim era praticamente impensável. A minha edição apresentou alguns problemas com a lombada e o papel branco brilhante é pouco desconfortável. Não há outros problemas no volume. Recomendo.

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