Os Contos de Canterbury - Edição Bilíngue

    Geoffrey Chaucer

    Editora 34
    2014
    784 páginas
    1d 2h 8m
    ISBN-13: 9788573265620
    Português Brasileiro

    Redigidos por Geoffrey Chaucer entre 1386 e 1400, Os Contos de Canterbury são o primeiro grande clássico da literatura mundial composto em língua inglesa e provaram ser, ao longo do tempo, fonte recorrente de inspiração para autores tão diversos como William Shakespeare, James Joyce e Pier Paulo Pasolini, que o adaptou para o cinema. Com uma estrutura análoga ao Decameron, de Boccaccio, mas sem nada dever à obra do italiano, aqui trinta peregrinos (entre os quais se inclui o próprio autor) partem em romaria para a catedral de Canterbury e durante a viagem contam, cada um à sua maneira, uma história para entreter o grupo. O conjunto das narrativas forma um panorama extremamente vivo dos gêneros cultivados na época - o romance de cavalaria, o poema heroico-cômico, a fábula, as legendas dos santos e a narrativa popular, com tons que vão do cômico ao sublime, do tratado moral à pura malícia e picardia. A partir dessa multiplicidade de registros e situações, Chaucer compôs um conjunto coeso que casa com perfeição os discursos com a profissão e a personalidade de quem narra, criando um jogo de espelhos entre as histórias que ilumina de maneira fascinante as diversas facetas da vida medieval. A presente edição, bilíngue, traz a premiada tradução em prosa de Paulo Vizioli, realizada diretamente a partir do original em inglês médio, além de notas e uma esclarecedora introdução do tradutor sobre Chaucer e o contexto histórico de sua obra. Complementam o volume notas adicionais e um posfácio redigidos por José Roberto O'Shea, professor-titular de literatura inglesa da UFSC, e as xilogravuras realizadas para a primeira edição ilustrada do livro, impressa por William Caxton em 1483.

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    Paulo Henrique23/09/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Trilha para Cantuária

    Assim como outra resenha que vi escrita aqui por um leitor sobre esse livro, me arrependo de não ter lido Contos da Cantuária antes. Em resumo, esta obra de Chaucer escrita em versos trata de uma interessante viagem em época medieval de um grupo de peregrinos que por devoção segue até Cantuária, cidade ao sul da Inglaterra a cerca de 90km de Londres. Instigados pelo taverneiro que os hospedou a todos, os membros dessa romaria contam contos que outrora ouviram, leram ou presenciaram, a fim de entreter a trilha da viagem. As histórias em geral têm um cunho moral ou religioso do período medievo, e de quase todas pode-se tirar uma “lição” diferente; o assunto das histórias, contudo, em sua maioria são mulheres - assunto que permeia todo o livro praticamente e que deve ser lido com atenção, por se tratar de uma época distante com costumes diversos aos nossos. Da última vez que me vi assim preso em um livro de contos foi no livro das Mil e Uma Noites, com histórias insólitas que me fizeram imaginar o mundo árabe da época. Aqui o mesmo aconteceu, os contos e as personagens me fizeram ter imagens de como era, ou poderia ser, aquela Inglaterra do fim da Idade Média. Os contos revelavam costumes, pensamentos, comportamentos, superstições e crenças da época que muito me interessaram em ler; além disso, a riqueza de personagens contribuiu muito para montar esse quadro social - aqui temos um grande grupo de peregrinos composto por beatos, pecadores assumidos, fazendeiro, cozinheiro, magistrado, comerciante, cavalheiro e escudeiro, alquimista, viúva de cinco maridos etc., ou seja, um vasto espectro de pessoas que o autor da obra certamente deve ter observado na época em que viveu até morrer no ano de 1400. Para mim, esse foi meu maior benefício em ler este livro: a viagem. Também a forma como cada personagem conta a história é curiosa e mostra uma invejável habilidade do autor em criar personalidades que falassem por si mesmos. Até mesmo me surpreendi ao saber, em artigo escrito por Harold Bloom no fim do livro, que dois dos personagens dos Contos da Cantuária inspiraram W. Shakespeare. Gostei dessa edição do livro, que traduziu a obra original do inglês antigo para o inglês moderno e dele para o português. A leitura foi fluida e repleta de notas explicativas para termos comuns da época que certamente não entenderíamos sem uma explicação.

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