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    Judeus Errantes -

    Joseph Roth

    sistema solar
    2013
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9789898566232
    Português
    3.8
    9 avaliações
    Leram17Lendo1Querem28Relendo0Abandonos0Resenhas2
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    Este livro prescinde do aplauso e da aprovação, mas também do protesto e até da crítica daqueles que menosprezam, desdenham, odeiam e perseguem os judeus orientais. Olivro não se dirige aos europeus ocidentais que, pelo facto de terem crescido com elevadores e sanitas, inferem o direito de contar anedotas de mau gosto sobre os piolhos romenos, percevejos galicianos e pulgas russas. Este livro prescinde dos leitores «objectivos», que, com a benevolência barata e azeda, a partir das vacilantes torres da civilização ocidental, lançam olhares de soslaio para o Próximo Oriente e os seus habitantes; que, por pura humanidade, lamentam a deficiente canalização e, por medo de contágio, encerram em barracas emigrantes pobres, onde a solução de um problema social é deixado ao critério da morte em massa. Este livro não quer ser lido por aqueles que renegam os seus próprios pais ou antepassados, que, por um simples acaso, escaparam às barracas. Este livro não foi escrito para os leitores que levariam o autor a mal por tratar o objecto da sua exposição com paixão em vez de o fazer com a «objectividade científica», que pode ser designada também por entediante. A quem é então destinado este livro? O autor nutre esperanças insensatas de que existem ainda leitores perante os quais não é necessário defender os judeus orientais; leitores que sentem respeito pela dor, pela grandeza humana e pela imundície que acompanha o sofrimento em todo o lado; europeus ocidentais que não têm orgulho nos seus colchões limpos; que sentem que têm muito a receber do Leste e que talvez saibam que da Galícia, da Rússia, da Lituânia e da Roménia vêm grandes ideias; mas também ideias (na perspectiva deles) úteis, que ajudam a consolidar e ampliar a estrutura firme da civilização ocidental — e não apenas os carteiristas, a quem o mais infame produto da Europa Ocidental que é a imprensa local chama os «hóspedes do Leste». Este livro não estará em condições de tratar o problema do judaísmo oriental com a profundidade abrangente que este requer e merece. Procurará apenas descrever as pessoas que representam o problema e as circunstâncias que estão na sua origem. Fará apenas um relato sobre algumas partes do vasto tema, o qual, para ser tratado com toda a sua amplitude, exigiria do autor tantas migrações quantas aquelas a que foram sujeitas gerações inteiras de judeus orientais. Joseph Roth, «Prefácio»

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    Luiz Pereira Júnior picture
    Luiz Pereira Júnior17/05/2023Resenhou um livro
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    A ilha e o lobo

    Como não poderia deixar de ser, um aviso ao leitor (repeti o mesmo parágrafo de outra resenha): “Judeus errantes”, de Joseph Roth, é mais uma obra da coleção Antagonista da editora Âyiné, cujas edições são em formato bolso, com belas capas, ótimo conteúdo e preços altos, altíssimos ou estratosféricos. Dito isso, “Judeus errantes”, de Joseph Roth, não é bem ficção, embora se pareça com ela; não é autobiografia, embora se assemelhe a ela; não é não ficção, embora possa ser confundida com ela. Então, é o quê? Melhor dizer que “Judeus errantes” é tudo isso, mas não apenas isso. Ao retratar a sociedade como a vê, o autor é um retratista social (com todas as implicâncias que o termo sugere); ao escreve o que vive(u), o autor é um memorialista de mão cheia; ao escrever suas opiniões, o autor é um ensaísta cuja profundidade nos leva a pensar no que estamos vivendo hoje, independentemente dos políticos que estejam no poder ou de onde estejamos esperando a morte chegar (ou seja, vivendo). E de qual Joseph Roth eu mais gostei? Aquele que me abriu os olhos para as vidas miseráveis dos judeus do Leste europeu, um povo com quem não tenho qualquer forma de contato, nem, a bem dizer, qualquer forma de interesse. E eis, enfim, um dos maiores poderes de um grande escritor: a capacidade de nos tirar o foco, de mudar nosso ângulo de visão. E foi isso que Joseph Roth fez em mim: à medida que eu lia as descrições, as narrações daquele povo tão distante eu me sentia cada vez mais fortemente ligado a eles, percebendo que a miséria humana é universal, porém, muitas vezes, absolutamente invisível aos nossos olhos e mentes. Vale a pena ler “Judeus errantes”? Com certeza. Ao ler o que parece um relato de viagens e os horrores sofridos por um povo à beira (na verdade, muito mais longe disso) da sociedade, percebi mais uma vez que 1) nenhum homem é uma ilha e 2) o homem é o lobo do homem. E que lições mais valiosas e atuais do que essas?

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    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas11%
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    Moses Joseph Roth

    Nascido em 1894, Joseph Roth viveu o fim do Império Austro-Húngaro. Da tragédia histórica que o marcou pelo resto da vida, nasceu o observador privilegiado dos novos tempos e, em especial, da Berlim da década de 1920. Nos artigos de Berlim, Roth registra o espetáculo múltiplo e ambíguo da velha capital prussiana, tomada de assalto por refugiados, bondes e arranha-céus, e transformada de uma hora para outra em epicentro da República de Weimar e da cruel história européia das décadas seguintes.<br> Andando por Berlim, Roth descobre asilos de refugiados, banhos noturnos e ruas de imigrantes; espreita os olhos cegos e brilhantes dos semáforos reinando sobre a nova paisagem de ferro, passeia ao lado de um criminoso recém-liberto, para tomar a medida cabal da transformação da cidade; e finalmente, como um Orfeu descendo aos infernos, percorre uma noitada berlinense. O que emerge de Berlim é menos o retrato objetivo de um lugar do que a imagem convulsiva de uma era que derrubava fronteiras, impérios e quarteirões com igual indiferença - e que ainda não acabou.

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    Moses Joseph Roth