Judeus Errantes (Biblioteca Antagonista #12) -

    Joseph Roth

    Âyiné
    2016
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-13: 9788592649128
    Português Brasileiro

    Este livro prescinde dos leitores ‘objetivos’, que, com a benevolência barata e azeda, a partir das vacilantes torres da civilização ocidental, lançam olhares de soslaio para o Oriente Próximo e os seus habitantes; que, por pura humanidade, lamentam a deficiente canalização e, por medo de contágio, encerram em barracas emigrantes pobres, onde a solução de um problema social é deixado ao critério da morte em massa. Este livro não quer ser lido por aqueles que renegam os seus próprios pais ou antepassados, que, por um simples acaso, escaparam às barracas. Este livro não foi escrito para os leitores que acusariam o autor de tratar o seu tema com amor ao invés de o fazer com a ‘objetividade científica’, que também pode ser definida como tédio. Este livro infelizmente não conseguirá tratar o problema do judaísmo oriental com profundidade abrangente que este requer e merece. Procurará apenas descrever as pessoas que representam o problema e as circunstâncias que estão na sua origem. Fará apenas um relato sobre algumas partes do vasto tema, o qual, para ser tratado com toda a sua amplitude, exigiria do autor tantas migrações quantas aquelas a que foram sujeitas gerações

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    Luiz Pereira Júnior17/05/2023Resenhou um livro
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    A ilha e o lobo

    Como não poderia deixar de ser, um aviso ao leitor (repeti o mesmo parágrafo de outra resenha): “Judeus errantes”, de Joseph Roth, é mais uma obra da coleção Antagonista da editora Âyiné, cujas edições são em formato bolso, com belas capas, ótimo conteúdo e preços altos, altíssimos ou estratosféricos. Dito isso, “Judeus errantes”, de Joseph Roth, não é bem ficção, embora se pareça com ela; não é autobiografia, embora se assemelhe a ela; não é não ficção, embora possa ser confundida com ela. Então, é o quê? Melhor dizer que “Judeus errantes” é tudo isso, mas não apenas isso. Ao retratar a sociedade como a vê, o autor é um retratista social (com todas as implicâncias que o termo sugere); ao escreve o que vive(u), o autor é um memorialista de mão cheia; ao escrever suas opiniões, o autor é um ensaísta cuja profundidade nos leva a pensar no que estamos vivendo hoje, independentemente dos políticos que estejam no poder ou de onde estejamos esperando a morte chegar (ou seja, vivendo). E de qual Joseph Roth eu mais gostei? Aquele que me abriu os olhos para as vidas miseráveis dos judeus do Leste europeu, um povo com quem não tenho qualquer forma de contato, nem, a bem dizer, qualquer forma de interesse. E eis, enfim, um dos maiores poderes de um grande escritor: a capacidade de nos tirar o foco, de mudar nosso ângulo de visão. E foi isso que Joseph Roth fez em mim: à medida que eu lia as descrições, as narrações daquele povo tão distante eu me sentia cada vez mais fortemente ligado a eles, percebendo que a miséria humana é universal, porém, muitas vezes, absolutamente invisível aos nossos olhos e mentes. Vale a pena ler “Judeus errantes”? Com certeza. Ao ler o que parece um relato de viagens e os horrores sofridos por um povo à beira (na verdade, muito mais longe disso) da sociedade, percebi mais uma vez que 1) nenhum homem é uma ilha e 2) o homem é o lobo do homem. E que lições mais valiosas e atuais do que essas?

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