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    As Coisas que Perdemos no Fogo (Formas Breves) -

    Mariana Enríquez

    e-galáxia
    2014
    14 páginas
    28m
    ISBN-10: B00QL1DJ1O
    Português Brasileiro
    3.9
    2493 avaliações
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    “As coisas que perdemos no fogo” é uma narrativa brilhante de uma das mais importantes narradoras argentinas contemporâneas. Com pleno domínio da narrativa, Mariana tece uma história ao mesmo tempo tocante e assombrosa, digna de mestre. A tradução é de Marcelo Barbão. Mariana Enriquez nasceu em Buenos Aires, em 1973. 
Algumas obras publicadas: “Bajar es lo peor”(1994, romance), “Cómo desaparecer completamente” (romance, 2004), “Mitología celta” (ensaio, 2007), “Los peligros de fumar en la cama” (contos, 2009), “Chicos que vuelven” (romance, 2011), “Alguien camina sobre tu tumba: Mis viajes a cementerios” (crônicas, 2013), entre outros. Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

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    Resenhas (422)Ver mais
    Tatianne Dantas picture
    Tatianne Dantas11/09/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os contos desse livro se encaixam perfeitamente no que Freud chamou de "Unheimlich", o estranho que inquieta por ter algo de muito familiar. A sensação de medo que tive ao ler o que Mariana escreveu foi essa, de algum medo muito primário, infantil até - mas não são essas as sensações mais assustadoras? São pequenas histórias independentes entre si mas que guardam muitas semelhanças e algumas obsessões da autora: casas assombradas, crianças deformadas, lugares insalubres, corpos magros e desnutridos, loucura. Como todo bom livro pode ser lido com várias chaves e, além do terror, destacaria a política. Li em algum lugar que os contos de Mariana trazem à tona uma Argentina diferente da que estamos acostumadas a ver nos escritores mais conhecidos e tive também essa sensação. Ela escolheu lugares fora dos grandes centros para ambientar suas histórias e traz dentro da sua escrita todo o peso de esquecimento social que esses cantos carregam. Meus contos favoritos: A casa de Adela, O quintal do vizinho, Sob a água negra e o conto que dá origem ao nome do livro, As coisas que perdemos no fogo - um conto doído mas interessantíssimo para pensar o feminicídio. Aliás, a maioria dos contos traz personagens mulheres como protagonistas e a violência presente nos papéis que elas ocupam também é uma chave de leitura para ser levada em conta. Sem condescendência e sem transformar essa violência em fetiche como é o caso de outras narrativas. Os primeiros contos me lembraram um pouco o Cortázar na estranheza dos finais principalmente. Eles acabam literalmente do nada e com aquele gostinho de tem muita coisa por trás aí que eu vou precisar pensar bastante para começar a entender. Mas do meio pro fim as pequenas obsessões que falei anteriormente ganham um corpo que, pelo menos a meu ver, carregam uma assinatura muito própria da Mariana.

    89 curtidas

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    • 4 estrelas43%
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    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
    Mariana Enríquez profile picture

    Mariana Enríquez

    Mariana Enríquez (Buenos Aires, 1973) é uma escritora e jornalista argentina. Considerada uma das integrantes da "nova narrativa argentina", destaca-se no gênero Horror, fortemente relacionado a questões políticas mescladas ao Sobrenatural. Pode-se afirmar, com segurança, que Mariana Enriquez é um dos principais nomes da literatura de Horror atual. Como Contista, a argentina já havia assombrado e fascinado leitores de todo o mundo com a coletânea "As Coisas Que Perdemos No Fogo", publicada em 25 países – no Brasil, a obra chegou em 2016. Outro conjunto de narrativas breves de sua autoria, intitulado "Los Peligros de Fumar en la Cama (publicado originalmente em 2009 na Argentina – e em 2023, no Brasil, intitulado "Os Perigos de Fumar Na Cama"), teve grande repercussão em países anglófonos – soma-se a isso o fato de a tradução dessa coletânea para o inglês realizada por Megan McDowell ter sido finalista do prestigiado International Booker Prize. Com o Romance "Nossa Parte de Noite", publicado em 2019 na Argentina e na Espanha, e em 2021, no Brasil, a recepção ao trabalho de Enriquez atinge um novo patamar. Sua obra vem gozando de enorme sucesso de crítica – êxito sustentado pela conquista de importantes prêmios internacionais, como o 'Herralde', da Espanha, – e de público, figurando em inúmeras listas de "Melhores Leituras do Ano" de suplementos literários e de outros veículos especializados. "Nossa Parte de Noite" relata a luta de um médium, Juan, para salvar Gaspar, seu filho, de um terrível destino envolvendo uma sociedade secreta, a Ordem. É uma história de estrutura ambiciosa e não linear, com núcleos que ora avançam, ora recuam no tempo, e de proporções monumentais, com mais de 500 páginas. Trata-se, sobretudo, de um grande Romance de Horror: as quatro partes que o compõem dialogam, cada uma, com diferentes correntes do gênero. E a escrita apresenta a intencionalidade que caracteriza a Ficção do arrepio, sendo permeada por imagens memoráveis e assustadoras. A expressão do Sobrenatural em Enriquez também carrega uma singularidade: a de se afastar de vertentes comumente associadas à Ficção argentina, como o Neofantástico, termo criado pelo pesquisador Jayme Alazraki para designar um tipo de narrativa que subverte o real discreta e lentamente, em um procedimento diverso da súbita ruptura muitas vezes encontrada em obras do Fantástico oitocentista. Nos Contos e no Romance da autora, essa ruptura ocorre e volta a tornar-se agente do assombro. Mas não só: contribuem para o Horror uma escrita hipnótica, a minuciosa construção de personagens e um poderoso subtexto social, relacionando Poder e Ocultismo. Entrevista: file:///D:/Downloads/193430-Texto%20do%20artigo-533648-1-10-20211221.pdf

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