A versatilidade em versos; o homem versátil: Manuel Bandeira
Uma antologia primorosa, rica, gostosa! Lendo Manuel, sinto os seus versos de tal maneira que me surpreendo. Ler e ouvir o poema "Profundamente", por exemplo, me introduz a uma profunda nostalgia, num abismo triste-alegre, contagiante: contagiante, porém, não para terceiros, mas para mim mesmo: meus eus que já feneceram e que, de certa forma, vivem em minha consciência, vivem em minha nostalgia dolorosa. A minha criança tem nostalgia do meu eu, nostálgico, que há pouco feneceu e a desejava, e este último, apesar do mesmo destino, não se encontra com o desejado. E a dor só aumenta: o que sou, fui; o que serei... impossível ser o que não se é, no entanto somos e deixamos de ser no mesmo momento... Isso e muito mais Manuel me proporciona. Digo que é versátil porque a sua poesia inicia-se parnasiana, movimento literário literalmente abandonado por ele, posso dizer, até, que desprezado, daí surge o famoso poema "Os Sapos", recitado por outro autor na Semana de 22; Depois, encontra-se ele na primeira fase do modernismo, mas Manuel não para por aí, por isso a sua versatilidade genial! Nesse livro, seguem-se em ordem as suas publicações, até mesmo traduções suas de outras obras, o que torna ainda mais completa e deliciosa de ler. Em homenagem a esse inefável poeta, pois tudo o que lhe disse positivamente são mera ignorância, dedico: Manuel, poeta poético, que da sua maneira Passou a escrever a fatal beleza da vida. Sem regras, livremente, com a sua escrita Seus peomas tornaram-se símbolo da sua, da nossa Bandeira.






