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    Submissão -

    Michel Houellebecq

    Alfaguara
    2015
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788579623820
    Português Brasileiro
    3.6
    1591 avaliações
    Leram2306Lendo105Querem1907Relendo1Abandonos50Resenhas188
    Favoritos84Desejados1907Avaliaram1591

    Uma sátira precisa e devastadora sobre os valores de nossa sociedade. França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências - ao contrário do que ele poderia esperar - não serão necessariamente desastrosas. Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual.

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    Gi S B picture
    Gi S B11/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Submisso

    O livro é uma narrativa de como as situações políticas e sociais podem tomar um rumo sem volta. Explico. O narrador/protagonista, um niilista clássico, um p.rra louca que se torna com um tempo, um "Maria vai com as outras", em sua mentalidade e raciocínio de gado, "dançando conforme a música do momento". Professor universitário, hedonista, de meia idade, por volta dos seus 40 e poucos anos de vida, não se preocupa muito com política e a vida do seu país, a França. Suas preocupações são sexo, comida e vida acadêmica. Eleições iminentes. A direita com seu candidato com extrema rejeição, mas com eleitorado fiel e uma esquerda fragilizada, clamando por eleitores que não têm. Uma terceira via se mostra viável e toma proporções gigantescas, o partido político do movimento muçulmano no país. Uma quase guerra civil irrompe no país, pouco antes do dia de votação, que é então postergado pelo governo. O livro mostra como a tomada de poder de uma coalisão de partidos comandados por um muçulmano não radical, aos poucos muda a face e a vida do país e de seus habitantes. O novo regime vai comendo pelas beiradas o "bolo" até não sobrar mais nada. O "bolo" de princípios, garantias, liberdades, e até bens materiais. Nosso protagonista perde a cadeira na universidade onde era professor de literatura por motivos políticos e religiosos. A narrativa demonstra o encadeamento de fatos e de trajetórias dos personagens, que ou se submetem, ou se alijam de suas antigas vidas, de seu país. Enfim, a liberdade é o primeiro bem a ser perdido. A democracia perde-se nesse interim. As mulheres são relegadas ao papel de esposa e mães tão somente, saindo da vida pública do país. O livro demonstra que desde o início do novo regime as professoras deveriam parar de lecionar e se dedicar ao lar. Nosso protagonista se rendeu ao sistema. Submete-se, e com isso ganha as benesses do regime. Previsível. De minha leitura, um livro atual, polêmico, incisivo, mas sobretudo instigante e reflexivo. Vale a leitura. Recomendo.

    38 curtidas

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    3.6 / 1591
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas4%
    Michel Thomas profile picture

    Michel Thomas

    Michel Houellebecq, nascido Michel Thomas, é um escritor francês, nascido na ilha Reunião, em 26 de Fevereiro de 1958 (de acordo com sua certidão de nascimento) ou 1956, segundo a biografia do jornalista Denis Demonpion. Seus romances Partículas Elementares e Plataforma lhe valeram uma reputação internacional de provocador, embora sejam também frequentemente considerados como um sinal de renovação da literatura francesa. Seu primeiro romance, Extensão do Domínio da Luta (Extension du domaine de la lutte), foi publicado em 1994. O livro contém o tema principal de seus romances: a miséria afectiva das pessoas em nossa época. Partículas Elementares (Les Particules élémentaires) provocou uma tempestade nos meios literários, dentro e fora da França, em 1998. O romance foi chamado "pornográfico". De fato o livro dá toda margem a tais interpretações, na medida em que explicitamente descreve as aventuras sexuais do irmão do protagonista, com riqueza de detalhes, em situações típicas de filmes pornô. Evidentemente não é por essa razão que Houellebecq tem sido valorizado. Neste mesmo livro, sua discussão central não é o sexo, mas uma história do ser humano, da humanidade, ternamente elaborada e narrada de modo singular e, segundo alguns, absolutamente genial. Seu último livro, A possibilidade de uma ilha, é também uma discussão do que é o ser humano, tomando como premissa uma nova raça, os "neohumanos", como comentaristas da vida de seus antecessores clonados - sendo esta uma marca constante do autor. O livro não teve o efeito tsunami das Particulas Elementares , sendo porém muito mais refinado que aquele, e menos incisivo também - mas nem por isso menor.

    65 Livros
    101 Seguidores
    Ilha Reunião, França

    Michel Thomas