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    O rosto de um outro -

    Kobo Abe

    Cosac Naify
    2015
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788540508767
    Português Brasileiro
    4
    113 avaliações
    Leram165Lendo12Querem600Relendo1Abandonos5Resenhas15
    Favoritos16Desejados600Avaliaram113

    Escrito por Kobo Abe, um dos mais relevantes autores japoneses do século XX, este romance de matizes surrealistas tem como protagonista e narrador um cientista cujo rosto é irremediavelmente desfigurado por uma explosão. Sem esperança de melhora, com a face coberta por bandagens, ele recorre a seus conhecimentos científicos para construir um novo rosto, que passa a ser o seu. A máscara mimetiza perfeitamente a fisionomia humana; por trás dela, a identidade e a percepção do narrador parecem alterar-se, e mesmo seu relacionamento com a esposa se modifica. Esse "outro" que acaba de nascer é de uma audácia nunca imaginada por seu criador. Reflexão sobre identidade, autoimagem e alteridade, O rosto de um outro é uma sofisticada história de terror marcada pela desolação e a perplexidade que tomam o Japão do pós-guerra.

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    Resenhas (15)Ver mais
    Daniel Heldt Urban picture
    Daniel Heldt Urban14/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Transgressor e perturbador

    Aqui conhecemos o protagonista sem nome, que, após uma explosão, acaba “perdendo” seu rosto. De maneira secreta e obcecada, se põe a criar um novo rosto. Conforme lemos as anotações, fica clara a metáfora das máscaras usadas por todos os seres humanos durante sua existência. O livro é perturbador e não muito fácil de ser lido. A esposa do protagonista é a peça chave da trama, e, após a criação da máscara, o personagem principal se põe em uma situação extrema: tenta seduzir a própria esposa com a nova máscara, fingindo ser outra pessoa, e, como ele mesmo narra, criando um triângulo amoroso em que ele mesmo é dois personagens. Sendo um livro do pós-guerra, esse é um tema que será abordado na obra com maestria e elegância. Um excelente horror psicológico, que vai te deixar pensando sobre suas próprias máscaras, e provavelmente machucará sua alma com suas próprias reflexões.

    33 curtidas

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    Avaliações

    4 / 113
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
    Kimifusa Abe profile picture

    Kimifusa Abe

    Kobo Abe (em japonês: Abe Kōbō), pseudônimo de Kimifusa Abe, nasceu em Tóquio e passou a infância e a adolescência na região de Manchukuo, atual Manchúria, então ocupada pelos japoneses, onde seu pai era professor de medicina. A distância do seu país natal propiciou que não tenha desenvolvido laços tão fortes com a cultura nipônica como outros escritores japoneses seus contemporâneos. Em vez disso, o jovem Kobo Abe interessou-se não só pela matemática e pela entomofilia, como também pela filosofia ocidental, sobretudo a de Jaspers, Nietzsche e Heidegger. Kobo Abe retornaria ao Japão em guerra em 1941, ingressando, dois anos mais tarde, na Universidade de Tóquio como estudante de Medicina. Licenciou-se em 1948, com a promessa de nunca vir a exercer a sua profissão. Em vez disso, decidiu dar início a uma carreira como escritor. Kobo Abe tornou-se membro da tertúlia literária Yoru no kai (Associação da Noite) liderada por Kiyoteru Hamada, inspirada pela tentativa de fusão da estética surrealista com a ideologia marxista, e a se interessar por teatro e cinema de vanguarda. A sua primeira obra, uma coletânea de poemas intitulada Mumei Shishu (Poemas de um Poeta Desconhecido), que havia escrito em 1943, foi publicada em edição do autor em 1947. Ganharia uma certa reputação em 1948, com a publicação do romance Owarishi Michi No Shirube Ni (O Sinal no Fim da Rua). Seu experimentalismo foi bem acolhido pelas gerações mais jovens e recebeu prêmios pelos seus três contos Akai Mayu (O Casulo Vermelho, 1950), Kabe (1951) e S.Karuma-shi no Hanzai (O Crime de S.Karuma, 1951). Por este último, em que utilizou um estilo e um tema de género kafkiano, Kobo Abe foi distinguido com o Prêmio Akutagawa, o mais prestigiado prêmio literário do Japão. Essa tendência prosseguiu e veio a caracterizar definitivamente a obra do autor. Dedicando-se também ao teatro, Kobo Abe tornou-se, na década de 70 e com a morte de Yukio Mishima, um dramaturgo de forte reputação, assegurada por peças como Tomodachi (Amigos, 1967), Bo Ni Natta Otoko (O Homem que se Transformou num Pau, 1969) e The Suitcase (A Mala, 1973).

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    Tóquio, Japão

    Kimifusa Abe