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    O livro dos abraços -

    Eduardo Galeano

    L&PM Pocket
    2009
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788525414885
    Português Brasileiro
    4.5
    3611 avaliações
    Leram5932Lendo600Querem3703Relendo19Abandonos110Resenhas336
    Favoritos26Desejados3703Avaliaram3611

    Tratar a memória - sua memória pessoal e a nossa memória coletiva, da América - como coisa viva, bicho inquieto: assim faz Eduardo Galeano quando escreve. Ele mostra que a história pode - e deve - ser contada a partir de pequenos momentos, aqueles que sacodem a alma da gente sem a grandiloquência dos heroísmos de gelo, mas com a grandeza da vida. Assim é O livros dos abraços. EM suas andanças incessantes de caçador de histórias, Galeano vai ouvindo tudo. O que de melhor ouve ele transforma em livros como este, onde lebra como são grandes os pequenos momentos e como eles vão se abraçando, traçando a vida. "A memória viva", diz Galeano, "nasce a cada dia". Ele diz e demonstra em livros como As veias da América Latina, Dias e noites de amor e de guerra, a trilogia Memórias do Fogo, Bocas do tempo, Palavras andantes, Futebol ao sol e à sombra e neste O livro dos abraços. Nada que possa ser dito é capaz de chegar perto da beleza e da emoção que estas páginas contêm. Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena.

    Edições (3)

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    Resenhas (336)Ver mais
    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo01/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sentimentos tangíveis

    Eduardo Galeano foi um homem feito de ideias. A cabeça inquietante desse uruguaio que infelizmente não está mais conosco tinha uma habilidade extraordinária de coletar os pormenores que cercavam seu olhar. Este “O livro dos abraços” é uma prova admirável disso. Ele foi um escritor sul-americano privilegiado, mas de uma maneira diferente à de outros mestres, como Vargas Llosa e García Marquez. Galeano optava muitas vezes pela brevidade do texto, mesmo que sua percepção sobre os temas em nada fosse breve. Canhoto de ideias por convicção, ele viveu uma vida repleta de histórias, fossem elas boas ou ruins. Galeano foi um homem do século 20 e viveu colhendo amizades das mais diversas, desde guerrilheiros até militares. É desse universo que tirou a maior parte de sua produção e é com ela que se comunica como poucos com tanta propriedade e profundidade. A beleza que ele alcança em suas palavras ao falar do amor, da esperança, da desilusão ou da política atinge níveis difíceis de explicar dentro de nosso imaginário latino. A leitura de Galeano não é feita, é sentida. Suas histórias não se imaginam, elas nos tocam. Em “O livro dos abraços” a viagem pode ser rápida, mas não espere indiferença ou comodidade. Galeano não foi feito para ser efêmero. Galeano fica conosco, ainda que fisicamente não seja mais possível vê-lo e agora possamos apenas imaginá-lo, assim como ele fazia com suas histórias. Talvez ele seja feito exatamente disso: de sentimentos tangíveis.

    159 curtidas

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