Aforismos Para A Sabedoria De Vida (Coleção Folha Grandes Nomes Do Pensamento #2) - Aforismos Para A Sabedoria De Vida

    Schopenhauer

    Folha de S.Paulo
    2015
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788581932446
    Português Brasileiro

    O pensamento de Arthur Schopenhauer (1788-1860) ficou marcado pela concepção pessimista da vida, conclusão fora de moda em tempos nos quais o imperativo só admite ser feliz e gozar. A vontade, fundamento adotado pelo pensador alemão, move e rege as ordens física, metafísica e moral. Como é uma força excessiva, que gera tanto quanto consome, atender a seus fins é uma quimera. O efeito dessa falta na experiência humana é percebido como sofrimento, que só aumenta quando nos entregamos aos impulsos de tudo querer ter e de obter a aprovação dos outros. Já na maturidade, depois de dedicar décadas ao projeto especulativo de "O Mundo como Vontade e Representação", Schopenhauer concentrou-se em pensar que escolhas permitem aos homens manter liberdade sob a inexorabilidade da vontade. A sabedoria de vida contida nestes aforismos não se confunde com mensagens da autoajuda. O que eles oferecem a quem os procura é bom senso, também conhecido como sensatez.

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    Jorge Silva07/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Filosofia de Qualidade e Acessível

    Este com certeza é um dos melhores livros que li neste ano, e vale releituras ao longo do tempo para não esquecer os seus ensinamentos. Escrito em um encadeamento de máximas (aforismos), a leitura é extremamente agradável e comunica um conhecimento precioso para uma melhor conduta de vida, portanto, é um livro que pode ser lido por qualquer pessoa. Não é necessário nenhum conhecimento filosófico prévio. Certamente, Schopenhauer é um dos meus filósofos preferidos. Além de empregar uma linguagem acessível, o faz sem perder a profundidade necessária a assuntos complexos, como a liberdade do ser em-si, ou a profunda compreensão dos desejos humanos e das relações sociais. Neste volume, o autor fará considerações práticas a respeito da vida humana, observada do ponto de vista subjetivo, como ele mesmo pontuou na introdução. Essencialmente, trata-se de uma ordem de pensamento a qual indica uma vida melhor, saudável e de autossuficiência, especialmente; este último fator é repetido incansavelmente durante a obra, pois o que alguém é por natureza, é indivisível. O caráter jamais pode se desprender do ser, e fatalmente, o ser humano está sozinho e sua maior companhia será ele mesmo. Aqueles agraciados de um grande espírito, dotado de fértil imaginação, disposição de caráter e paixão pelo conhecimento, serão mais felizes por excelência, pois não temem a solidão, e os infortúnios da vida material são menos sentidos por tais espíritos. Este é o primeiro e mais importante fator da sabedoria de vida de Schopenhauer, bastar-se a si mesmo. Em seguida, o autor reflete sobre os outros dois bens da vida, que dizem respeito ao que alguém tem, e o que representa. O primeiro, vinculado aos bens materiais, e o segundo, à honra e glória. Por mais que sejam de ordem inferior, estes bens também fazem parte da vida, e não somente geram frutos de intensa reflexão, mas também podem aumentar a felicidade do ser, não sendo observados como fins em si, mas apenas como consequência do primeiro bem, o ser em si. Sobre o que alguém tem, o autor vê estes bens materiais principalmente como uma fonte de conforto. Para um grande gênio, esta fonte é abençoada, pois o permite viver para as suas obras e o seu grande caráter não será afetado pelo tédio, o que, invariavelmente, acontece com uma mente inferior, a qual utilizará mal estes bens, buscando os vícios e extravagâncias, os quais apenas trarão mais infortúnios, e jamais poderão sanar por completo o tédio. Por outro lado, a falta deste bem gera a necessidade, uma contrapartida do tédio. Alguém necessitado é impedido pelos meios materiais de atingir plena existência, dificultando até mesmo a manutenção de uma boa saúde, esta, considerada pelo autor, o bem material mais valioso. "O que alguém representa" é um dos capítulos mais longos do livro. Isto é, a opinião dos outros e o quanto isto influi em nossas vidas. Fica claro que o ser que não se basta a si mesmo se importa muito com a opinião dos outros, e busca sempre alimentar esta opinião de maneira positiva. De todos os bens, este é o mais supérfluo. Primeiro, porque a opinião alheia em nada altera o que nós somos, e segundo, estas opiniões não existem em lugar nenhum, exceto na consciência de tais pessoas. Decerto, viver para a impressão que os outros têm a nosso respeito configura uma fonte infinda de sofrimentos, e é uma insensatez completa. Além do mais, miserável é uma existência pautada no que pensam os outros. Pois, grandes estelionatários e salafrários podem nutrir forte estima de muitas pessoas, ao proferir doces palavras aos seus ouvidos, mas quando ninguém está vendo, revelam a sua sórdida natureza através de seus atos vis. A opinião alheia em nada altera o que tais pessoas são, por isso, não deve ser levada em consideração, e apenas configura uma ilusão. Por fim, o pensamento geral se trata de uma visão estóica do mundo. Mais feliz é aquele que evita os sofrimentos, não aquele que busca mais gozos, pois estes são necessariamente uma fonte de infortúnios, e para o autor, os infortúnios contém uma natureza positiva e real, enquanto a felicidade é negativa e irreal. Sua visão de mundo é pessimista, o estado natural de existência é sofrimento, mas, do ponto de vista prático, existem coisas boas a serem encontradas no caminho da vida, e é por isso que a existência deve ser corajosamente encarada.

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