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    O Circuito dos Afetos - Corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo

    Vladimir Safatle

    Cosac Naify
    2015
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9788540509603
    Português Brasileiro
    4.5
    41 avaliações
    Leram81Lendo48Querem577Relendo2Abandonos14Resenhas6
    Favoritos7Desejados577Avaliaram41

    Qual o sentido da política no mundo contemporâneo? Este livro procura oferecer novos paradigmas políticos num momento em que tanto as utopias de esquerda quanto o próprio capitalismo encontram-se em descrédito. Para isso, o autor reconstitui um fio que parte de Aristóteles e sua teoria dos afetos, passa por Espinosa e chega até Giorgio Agamben, debatendo com Michel Foucault e expoentes atuais da Escola de Frankfurt.

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    Resenhas (6)Ver mais
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    Paulo Henrique09/06/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro manifesto

    Esse não é um livro que toca apenas em questões teóricas. De certa forma, Safatle está incomodado com os horizontes políticos da nossa sociedade e certa incapacidade de trabalhar efetivamente questões do contemporâneo a partir de uma perspectiva prática. Para elaborar tal plano de ação ele primeiramente nos coloca diante do nosso cenário ideológico, com o medo sendo entendido como afeto primordial de gerenciamento de massas. O autor utiliza então Hobbes para começar a pensar como o medo se impõe dentro do espectro político e propõe o "desamparo" como uma espécie de afeto substituto, um afeto que, apesar de à primeira vista parecer triste, na verdade seria absolutamente positivo, no sentido de abrir possibilidades de desenvolvimento que fujam para uma lógica de determinação neoliberal já posta. A segunda parte do livro trabalha com Hegel e Marx de forma mais aprofundada, usando os teóricos para se pensar uma perspectiva de temporalidade que não exclui o campo do impossível, pelo contrário, encontra nessa perspectiva a dimensão do aberto em que transformações se impõem e podem de fato ocorrer. É só através de uma temporalidade revisitada que o sujeito contemporâneo pode enfim produzir significantes novos para movimentar-se de fato dentro do tecido social. Na última parte do livro Safatle fala sobre a teoria de reconhecimento proposta por Honneth. A ideia é criticar tal tradição político-teórica que trabalha com o reconhecimento como condição de emancipação. Honneth seria insuficiente por abordar o conceito a partir de um viés limitado, que delimita deliberadamente a discussão do reconhecimento dentro de um horizonte Winnicottiano que trabalha a relação mãe-bebê como ideal e lugar fundamental de segurança, mas sem mencionar as questões propriamente angustiantes dessa relação intersubjetiva, permeada por movimentos de despossessão e inconformidade do bebê em relação à normatividade imposta pela mãe. O reconhecimento de Honneth é muito paradisíaco, e Safatle propõe assim um resgate da lógica lacaniana de reconhecimento para propor soluções para esse impasse teórico. A partir daí, Canguilhem é trabalhado no intuito de operar reflexões sobre uma filosofia que se ocupe da vida e consequentemente do corpo político dos sujeitos. Não existe política sem corpo e esse resgate seria interessante para desvincular essa instância de uma perspectiva biopolítica nos moldes estritamente foucaultianos, determinados estruturalmente por uma lógica normativa de (des)subjetivações.

    10 curtidas

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    Avaliações

    4.5 / 41
    • 5 estrelas56%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Vladimir Pinheiro Safatle profile picture

    Vladimir Pinheiro Safatle

    Em suas obras o autor propõe uma releitura da tradição dialética por meio da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, além da reformulação de categorias clássicas do pensamento marxista, como fetichismo, crítica e reconhecimento. É um dos responsáveis pela publicação de um importante estudo sobre a ditadura militar e suas ramificações no presente, intitulado: O que resta da ditadura: a exceção brasileira (Boitempo, 2010). Publicou também contribuições à filosofia da música, à crítica da cultura e à teoria psicanalítica. Assinou ainda a introdução à tradução brasileira da obra Bem-vindo ao deserto do real! (Boitempo, 2003), do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

    21 Livros
    75 Seguidores

    Vladimir Pinheiro Safatle