Deus Não é Grande - Como a religião envenena tudo

    Christopher Hitchens

    Globo Livros
    2016
    472 páginas
    15h 44m
    ISBN-13: 9788525059123
    Português Brasileiro

    “Deus não criou o homem à sua própria imagem, foi o contrário”. Essa afirmação norteia o escritor e jornalista britânico Christopher Hitchens no livro Deus não é grande – como a religião envenena tudo. Como todo e qualquer ser supremo, na verdade, Deus não passaria de uma criação humana, e as consequências disso são a profusão de deuses e de religiões e as guerras entre e no interior dos credos e que retardaram o desenvolvimento da civilização. A religião organizada, por ser imoral, irracional, intolerante e racista, segundo o autor, degrada as crianças ao doutriná-las e provoca a repressão sexual; controla a alimentação e aumenta a culpa ao multiplicar as proibições mais arbitrárias possíveis; distorce as origens do ser humano e do cosmos; incentiva o fanatismo, sendo cúmplice da ignorância e do obscurantismo. Mesclando erudição e humor, Hitchens chega a essas conclusões se apoiando em experiências pessoais, fatos históricos e análises críticas de textos religiosos. As análises se concentram no cristianismo, judaísmo e islamismo, mas também há menções ao budismo e ao hinduísmo. Sua perspicácia o levou a travar célebres embates contra ícones incontestáveis da religiosidade e do bem, como madre Teresa de Calcutá, que será canonizada pelo Vaticano em setembro 2016. Hitchens relata como o jornalista Malcolm Muggeridge lançou a marca “Madre Teresa” em todo o mundo ao contar o episódio em que ela teria emitido um brilho, um halo luminoso. A verdade, esclarece Hitchens, é que o suposto “milagre” devia-se à filmagem em condições de pouca luz e com um novo tipo de filme da Kodak. Suas objeções à fé religiosa também englobam casos de pedofilia na Igreja Católica dos Estados Unidos, episódios de intolerância religiosa entre católicos e protestantes na Europa e conflitos motivados pelo radicalismo de judeus e muçulmanos no Oriente Médio. Hitchens defende que nenhuma religião oferece uma resposta satisfatória às questões fundamentais da existência humana, cujos dilemas morais e éticos, segundo ele, estariam mais bem representados em autores clássicos, como Shakespeare, Dostoiévski e Tólstoi, do que em qualquer escritura sagrada. Em sua visão, o ideal seria que a ética e a investigação científica substituíssem a religião. “Se você dedicar um pouco de tempo a estudar as impressionantes fotografias tiradas pelo telescópio Hubble, estará examinando coisas que são muito mais assombrosas e belas – e mais caóticas e atordoantes e ameaçadoras – que qualquer história da criação”, assegura o autor.

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    Aguinaldo Medici Severino16/02/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    deus não é grande

    Estamos já no estágio avançado de uma guerra aberta. Curiosamente trata-se de uma guerra que estamos perdendo feio. A guerra se dá entre nós (eu explico este nós depois) e as forças da ignorância e do obscurantismo, fortemente armadas e com miríades de adeptos. Nós para mim é cada um que tenha a civilização como um valor. Acontece que nós, aquelas pessoas que vivem no século XXI e preza valores seculares e humanistas tende a não se preocupar com os sinais ameaçadores no horizonte. Sendo pessimista (como afinal de contas deve-se sempre ser) o mundo como nós conhecemos está em vias de ser tomado de assalto por uma legião de inquisitores sedentos de sangue. Hoje em dia as pessoas que professam alguma crença em força superior, em um deus, em duendes e feiticeiros, em poderes mágicos transcendentais, em alguma religião organizada não têm mais pejo em afirmar os maiores absurdos como se estivessem apresentando fatos irrefutáveis. A grande verdade é que a religião envenena tudo. É uma perversa forma de dominação e está no mercado já há tempos, aprendeu todas as regras e truques de dominação, desde as mais sutis até as mais canalhas.A religião envena tudo. Este é o argumento principal deste seminal livro de Christopher Hitchens. Quando vemos uma ministra de estado defendendo o criacionismo; quando um grupo utilizando brechas na torpe legislação brasileira se une para intimidar jornalistas; quando um grupo de patetas decide proibir pesquisas pelo simples fato de não compreendê-las; quando um bush da vida desafia o bom senso; quando um ministro do judiciário posterga pesquisas sobre células-tronco pelo simples fato de ser um católico praticante, quando uns ferozes bárbaros se insurgem contra o aborto e o sexo; quando se tenta dar o falso status de ciência a mágia e ao obscurantismo, estamos tratando dos avanços das legiões dos adeptos de alguma religião. Para mim este livro deveria ser lido por qualquer pessoa minimamente interessada que um mundo secular, humanista, onde valores do iluminismo e da modernidade sejam preservados e continuem existindo. Não se interessar por este tema, não ler este livro (e lê-lo como quem se prepara para um grande combate) tem como única alternativa a volta bovina para as cavernas escuras da estupidez, onde entregaremos nossas vidas aos desejos patológicos dos proselitistas das religiões (sejam elas quais forem: cristianismo, judaismo, hinduismo, islamismo, protestantismo, budismo, espiritismo, paganismo, esoterismo, cientologia, religiões moderninhas, descoladas, etc e tal, enfim, não há a menor diferença prática nos objetivos destes senhores da guerra). Prepare o seu tacape ou seu taco de beisebol. "deus não é grande", Christopher Hitchens, tradução de Alexandre Martins, editora Objetiva, 1a. edição (2007) brochura 15,5x23,5cm, 286 pág., ISBN: 978-85-00-02231-9

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