Os Mortos (Mimo) -

    James Joyce

    Autêntica
    2016
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788582178027
    Português Brasileiro

    Os mortos é uma história de Natal. De música, dança e mesa farta. É uma história sobre os laços de família e de amizade. Suas bênçãos e suas danações. Suas alegrias e seus estorvos. Seus prazeres e suas desgraças. É também uma história de amor: uma história de amores. Das recordações de um amor do passado: fugaz, longínquo e perdido. Das lembranças dos momentos de ternura e afeto de uma vida em comum: banais e instantâneos. E contudo: singulares e eternos. É a história de um desejo mortal de posse e intimidade. Mas também de frustração, fúria e fracasso. De aproximação e fuga, de ataque e rendição. Os mortos é uma história sobre os vivos. E sobre os que vão morrer. E os que já morreram. É uma história sobre a morte. E sobre os vivos e os mortos. É uma história sobre a vida.

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    Régis Maz04/12/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O passado que revela o peso da vida

    Ainda não sei se é uma novela ou um conto, mas pelo tamanho vou chamar de novela. A atmosfera da narrativa é bem vívida, devo dizer que até quase documental, faz parecer que estamos assistindo à rotina que se desenrola lentamente diante de nossos olhos, como um filme da vida real. Os personagens interagem e o foco passa por cada um deles, mas se fixa em Gabriel, e aí sim podemos ver, de forma clara, o autor retratando a sociedade como ela lhe parecia. Mais para o final, todo um sentido de peso sentimental acaba nos abraçando, o que torna os trechos em que Gabriel descobre algo do passado de sua esposa muito intensos. Ainda mais quando, junto com o personagem, acabamos nos dando conta de que o passado nunca morre, ele nos persegue pela vida, nos mantendo nas sombras e vindo à luz apenas em momentos cruciais, fazendo-nos sentir todo o peso do que adoraríamos ignorar. O trecho final, em que tem a citação em que ele diz “Gabriel sentiu a alma desfalecer aos poucos enquanto ouvia a neve que caía suave por todo o universo e suave caía, como a descida ao derradeiro fim, sobre todos os vivos e os mortos.”, me marcou profundamente. Fiquei tanto tempo refletindo sobre esse trecho que perdi a noção das horas. Ao apagar as diferenças, Joyce nos lembra que todos caminhamos para a mesma dissolução no tempo. Talvez eu não tenha compreendido por inteiro tudo o que Joyce quis transmitir nessa novela, mas senti intensamente o peso do passado e o contraste entre vida e morte presentes em meio à celebração natalina, quando o passado e a morte se insinuam como uma lembrança silenciosa da finitude de tudo. Sei que essa novela faz parte do livro Dublinenses, mas foi bom encontrá-la separada para ter uma breve amostra da escrita do autor e descobrir se me identifico ou não com ela. O que posso dizer? Tive uma boa impressão de Joyce e estou tremendamente inclinada a ler outros livros do autor. Tenho planos de adquirir Ulisses, e essa amostra que tive com “Os Mortos” me deixou ainda mais curiosa para seguir com meus planos de ler esse calhamaço.

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