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    O Dia do Perdão - Hainish Cycle #7

    Ursula K. Le Guin

    Editorial Presença
    2004
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9789722332057
    Português
    7
    3 avaliações
    Leram3Lendo0Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados1Avaliaram3

    "Four Ways to Forgiveness". Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…

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    Flávio Vinícius picture
    Flávio Vinícius05/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro de novelas sobre os planetas Werel e Yeowe, do Ciclo Hainish, autoria Ursula K. Le Guin

    O livro de contos (ou novelas) chamado de O Dia do Perdão, originalmente Four Ways to Forgiveness, é de 1995 e faz parte do Ciclo Hainish, da escritora norte-americana Ursula K. Le Guin. O livro traz 4 histórias com personagens e tempos diversos e tem como fio condutor a discussão sobre escravidão, dominação, poder, submissão. O livro fala sobre o planeta Werel, oligarquia escravista, e o planeta satélite Yeowe, cujos habitantes são escravizados por Werel. 1. Traições O conto traz a história de dois idosos, um homem e uma mulher, no planeta de Werel. Os dois se aposentam e vão para uma aldeia remota para aguardar a morte em silêncio e meditação, o que parece ser um costume local. Ambos se dirigem em momentos distintos para essa aldeia remota, e passam a habitar casas abandonadas, como uma forma de favor feito pelos donos das casas. A idosa é uma ex professora de ciências e dirigente escolar, e o idoso é um ex revolucionário e chefe político, chamado Cacique. A caridade é um valor para a religião de Werel, portanto o empréstimo das residências é feito como uma tentativa do proprietário de limpar a própria alma. Os personagens principais vão aos poucos se conhecendo e percorrendo as ideias preconcebidas que tinham um do outro. É um conto que fala sobre a velhice, as desilusões deixadas para trás, a meditação sobre os sentidos da vida, a companhia dos animais de estimação, a solidão e a tentativa de auto aceitação. Também aborda a questão da possibilidade de recomeço, não importa a idade que se tenha. Ursula K. Le Guin tinha 66 anos quando escreveu esse livro de contos. 2. O Dia do Perdão Esse conto fala sobre Solly, filha de um Móvel, viveu em diferentes planetas e naves, possui uma visão ampla e cosmopolita: aos dez anos, já havia percorrido 500 anos-luz. No entanto, chega um momento de sua carreira em que passa a habitar o planeta Werel como Enviada do Ecúmen. Esse conto (ou novela) apresenta dados e histórias referentes a planetas do Ciclo Hainish que não haviam sido citados ainda e que não faziam parte de nenhuma história até o momento. Por exemplo, o planeta Kheakh é um dos locais onde Solly viveu e é citado como um planeta que optou pela autodestruição. O Dia do Perdão, apesar de ser o conto que dá título ao livro, é a história de que menos gostei, embora reconheça que é um conto excelente. Ao fim, percebemos que a narrativa traz aspectos que podem ser relacionados, inclusive, à literatura de Orgulho e Preconceito (1813), de Jane Austen. 3. Um homem do povo Essa foi a melhor novela do livro, na minha opinião. Contém descrições sobre o planeta Hain, de onde partiram todos os humanoides do Ciclo Hainish. Narra a história de vida de Zhiv, que sai da aldeia onde vivia em Hain para ser um Enviado nos planetas Yeowe e Werel. O livro traz questionamentos acerca de historiografia, cultura, intervenção ou autodeterminação dos povos (aliás, esse tema é muito discutido em todos os livros do Ciclo Hainish), educação, entre outros. Várias frases dessa novela ficaram muito bem gravadas para mim mim: “Há mais de uma forma de saber, diziam os historiadores” (p. 129); “Ensinamos o que sabemos, pensou, e todo nosso conhecimento é local” (p. 159); “Todo saber é local, todo saber é parcial” (p. 161). A novela aborda o fato de a história de Hain abarcar 3 milhões de anos, o que indica que essa narrativa, sobretudo a mais antiga (os primeiros 2 milhões de anos), é contada de forma tão comprimida e distorcida, e envolve uma quantidade tal de eventos (infinitos) que é impossível para a compreensão humana dizer que pode retê-la, contá-la ou narrá-la. Zhiv é um hainiano que morava em Stse, uma península com história e cultura bem apartadas da cultura que conhecemos como a cultura hainish (de propagação por planetas e cosmopolita). Ainda muito jovem, Zhiv recebe a visita de uma historiadora hainush, a qual havia nascido em Stse mas havia partido para estudar sobre os vários planetas humanoides e sobre a história de Hain. Zhiv coloca em questão todo o conhecimento que ele havia adquirido em Stse, e partir daí a novela passa a levantar questionamentos que abarcam, inclusive, a concepção da Verdade. Um homem do povo é uma das histórias mais interessantes do Ciclo Hainish, e uma das mais detalhadas acerca da vida em Hain. Por exemplo, conhecemos Ve, o planeta do Ecúmen mais próximo de Hain, e que passou grande parte da história como uma planeta satélite de Hain, e que na época do conto é um planeta habitado por historiadores e alienígenas dispostos a aprender sobre a civilização hainish. O conto também apresenta as ruínas de antigas civilizações em Stse, e apresenta como a cultura de Stse é completamente diferente da cultura dos Enviados e dos Móveis da civilização hainish apresentados em outras histórias. 4. A libertação de uma mulher O tema mais importante da novela são as lutas pela libertação dos escravos e das escravas em Werel e Yeowe, a partir do ponto de vista de uma ex escrava nas plantações de Werel. O livro me pareceu um pouco com o clássico brasileiro Um defeito de cor (2006), da Ana Maria Gonçalves, e traz temas que também são apresentados em A Revolução dos Bichos (1945), de George Orwell. A novela me lembra dos ensinamentos de Paulo Freire e a necessidade de uma educação libertadora a fim de que os dominados não terminem por meramente refletir a mentalidade dos dominadores. A libertação das mentes se apresenta como a mais difícil de ser levada adiante. Como muitas das histórias de Ursula K. Le Guin, essa narrativa apresenta sexualidades diversas encaradas como fato corriqueiro, sem o estranhamento com que são apresentadas as sexualidades na literatura de ficção científica. É claro que outras histórias, como A Mão Esquerda da Escuridão, tratam desse tema com maior aprofundamento. Nessa novela o tema é apresentado de forma ligeira: a personagem principal da história é bissexual e mantém relações com homens e mulheres. Novela excelente, que fecha com estilo o livro O Dia do Perdão, obra que já considero como mais um grande livro da genial Ursula K. Le Guin. Após as quatro novelas, a autora deixa fragmentos descritivos acerca da história natural e cultural dos planetas Werel e Yeowe, como se estivéssemos lendo um livro de antropologia ou uma obra acadêmica sobre planetas verídicos.

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    Ursula Kroeber Le Guin profile picture

    Ursula Kroeber Le Guin

    Ursula K. Le Guin nasceu em outubro de 1929 em Berkeley, na Califórnia, e é filha do antropólogo Alfred Kroeber e da escritora Theodora Kroeber. Estudou na Radcliffe College e na Universidade de Columbia e se casou, em Paris, com o jovem historiador Charles Le Guin. A autora tem uma vasta obra, que inclui poesia, contos e romances, publicada e traduzida no mundo todo. Foi vencedora dos mais renomados prêmios da literatura fantástica: Hugo, Nebula, Locus, Asimov, Lewis Carroll, Shelf, World Fantasy, entre outros. Por O feiticeiro de Terramar, recebeu ainda o prêmio Horn Book, do jornal The Boston Globe. O Ciclo de Terramar, composto por cinco narrativas e um livro de contos, e o romance A Mão Esquerda das Trevas, parte do Ciclo de Hainish, são as suas obras mais conhecidas. Hoje em dia, é considerada uma das melhores autoras do gênero.

    459 Livros
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    Califórnia, Estados Unidos da América

    Ursula Kroeber Le Guin