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    O povoado (Trilogia Snopes #1) -

    William Faulkner

    Mandarim
    1997
    302 páginas
    10h 4m
    ISBN-13: 9788535400281
    Português Brasileiro
    4
    46 avaliações
    Leram50Lendo8Querem107Relendo0Abandonos4Resenhas2
    Favoritos0Desejados107Avaliaram46

    O povoado, o primeiro romance da Trilogia Snopes, constitui um retrato irônico da tragédia clássica e uma ilustração cáustica sobre as grandes pretensões que antecederam a Guerra Civil norte-americana.

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    Resenhas (2)Ver mais
    Israel de Oliveira Costa picture
    Israel de Oliveira Costa20/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A trilogia Snopes é um projeto ambicioso na vasta e arrojada literatura de William Faulkner. Composta por diversos fragmentos, contos, ensaios, rejeitos e causos, a trajetória do clã Snopes começa a ser contada no primeiro volume, O povoado, que narra a chegada do clã ao fictício condado de Yoknapatawpha (pronuncia-se ióquinopotalfa!), mais especificamente na região de Frenchmens Bend, uma antiga fazenda que teve seu auge na guerra civil americana. Expert em representar a sociedade sulista dos Estados Unidos, Faulkner desliza sua pena à vontade contando os causos dos caipiras que vivem no condado. O livro tem um ritmo lento, começando com histórias caipiras sobre vacas e mulas. O desenvolvimento truncado, sem pressa e no ritmo da vida na fazenda, passa aos leitores aquela sensação de calmaria em que a qualquer momento algo vai acontecer. Mas não acontece. O ritmo permanece o mesmo enquanto o leitor observa passivo e atônito o clã Snopes se incorporar na região liderado pelo sombrio Flem Snopes. Que transforma os caipiras em meros fantoches. Frio, calculista e malandro, Flem Snopes é movido pela ganância. Não uma ganância explícita, mas uma ganância especulativa, oportunista e sorrateira. Faulkner o blindou com a aura da vitória. No livro, Flem Snopes não perde uma. Manipula caipiras, latifundiários, juízes e até o sujeito mais esperto do condado. Esse primeiro romance confere ao leitor ferramentas pra mergulhar no universo Faulkniano. Considerado um autor difícil, sua leitura requer uma mente aguçada para entender e acompanhar o ritmo da narrativa e da ação, onde os personagens são tão críveis e palpáveis que fornecem à sua obra algo de cinematográfico. Depois que o leitor acostuma, o livro flui sem maiores problemas. Outro ponto que não pode passar em branco é a espécie de fascinação que o autor tem por retardados mentais. Um dos contos do livro traz o personagem Ike Snopes, retardado que tem fetiche por vacas, chegando ao auge de sequestrar uma e partir sem rumo pelos arredores do condado. Faulkner retoma um pouco a fórmula de O som e a fúria mostrando a mesma forma de narrativa que usou no primeiro capítulo com o personagem Benjamin Compson. E por fim, a melhor parte do livro é quando surge Eula Varner, a garotinha linda e deliciosa que arrebenta o coração dos marmanjos. Essa Lolita caipira é a personagem mais bem caracterizada no romance e o leitor se entrega às manipulações literárias do autor até o desfecho da paixão louca nutrida pelo professor do condado, que Faulkner transforma no clássico caso de amor impossível, mas com uma roupagem verdadeiramente excitante que confere a esse capítulo do livro uma estética rara na literatura. Ele escreve trechos carregados de uma deliciosa libertinagem sem vulgaridades, asco ou grosserias. O resultado desse amor platônico só pode acabar da maneira sulista. Faulkner mostra com destreza literária ímpar o desfecho. Enfim, boa leitura, recomendável para quem já tenha lido algo do autor e que pretende se meter um pouco mais na vida dos clãs caipiras de Yoknapatawpha.

    4 curtidas

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    Avaliações

    4 / 46
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas15%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
    William Faulkner profile picture

    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

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