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    Elogio da Sombra / Um Ensaio Autobiográfico -

    Jorge Luis Borges

    Globo
    1997
    122 páginas
    4h 4m
    ISBN-13: 9788525003065
    Português Brasileiro
    4.1
    176 avaliações
    Leram307Lendo16Querem229Relendo1Abandonos4Resenhas8
    Favoritos1Desejados229Avaliaram176

    Escrevendo o Elogio da Sombra, em prosa e verso, Jorge Luis Borges inspirou-se nas mais diversas fontes: em sua querida Buenos Aires, em episódios da epopeia crioula, sobretudo em Martín Fierro, na sua admiração por Heráclito, James Joyce, Ricardo Güiraldes, Lugones, no Rubaiyat, em sua indignação contra as guerras, na cegueira que o avassala, e entre outros temas, nos seus próprios contos. Não nos espantemos - a sua fantasia se compraz em recriar o já criado, num esforço desmedido para alcançar a forma perfeita para aquilo que ele chama as suas perplexidades, e que, tecida com os fios das pequenas astúcias que o tempo lhe ensinou, constituem o plano mais fundo de seus poemas: o aranhol do destino e suas simetrias, o labirinto e o "nunca haverá uma porta", o espanto, os emblemas, os hieróglifos. As figuras e os símbolos que perpassam esse mundo fluente de sombras são retomados, de outra maneira, em Um Ensaio Autobiográfico, que Borges escreveu em colaboração com Norman Thomas di Giovanni, seu secretário e tradutor para a língua inglesa. Nesse ensaio emergem, novamente, a Buenos Aires, os seus amigos e as suas leituras, mas vistos como fatos da vida de todos os dias. De mistura com a narrativa de sua formação como escritor, Borges aqui oferece, em traços leves e irônicos, um quadro muito pessoal das comoções políticas e literárias de que tomou parte na Argentina, Europa e América, retratando en passant todos aqueles que de alguma forma o impressionaram: seus pais, Macedonio Fernández, Bioy Casares e Victoria Ocampo entre outros. Além de trazer importante lastro de esclarecimentos para a análise de sua produção literária, essa autobiografia condensada revela com humor e sinceridade um Borges concreto e um homem de exceção que pode sorrir a suas limitações e quer antes de tudo viver plenamente a sua condição de escritor.

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    Everton Vidal picture
    Everton Vidal31/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Genial desde o prólogo, onde ele diz que não possui uma estética, mas algumas astúcias. Não é um livro de contos como "Ficções", clássico universal, é poesia, seu quinto livro de versos, mas que leva o leitor a se sentir dentro daquele mesmo universo, da biblioteca universal infinita, dos labirintos do tempo caótico e das palavras que nunca terminam de dizer o que querem. A poesia de Borges é ao mesmo tempo autobiográfica e alheia. É o lugar onde o Eu trata de ser a humanidade inteira, e esta, brinca de ser Borges. Está sempre revelando traços de outras obras, de escritores passados e contemporâneos, reinventando e evocando a cultura universal. De Heráclito a Jesus, Quintana e James Joyce, de Cambridge a Buenos Aires, uma profusão de imagens prolixas, um elogio de sombras que simbolizam os significados difusos e a cegueira (em mais de um sentido) que o acometeu. Meus poemas favoritos são "os gaúchos", de tom distópico, e "o guardião dos livros", que lembra aquele hermetismo dos contos, "Fragmentos de um Evangelho Apócrifo" também destaco como uma das releituras mais profundas do Sermão do Monte. Mas há poemas que não pude desfrutar. Às vezes é difícil abstrair a obra de um artista de suas ideias e comportamentos políticos errados, faço um esforço porque a vida é breve, a arte, escassa e os gênios tão poucos... Se vale a pena, sei que vai de cada um. Minha opinião sobre Borges é que vale muito sim.

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