O Senhor Presidente -

    Miguel Ángel Asturias

    Bibliotex Editor (Diário de Notícias)
    2003
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8496180417
    Português

    O Senhor Presidente - Classificado por Pablo Neruda como "um livro genial", é um dos grandes romances do nosso tempo. Segundo o crítico francês André Bay, "Senhor Presidente nos introduz num universo que embora seja barroco e absurdo não é menos realista e lógico. É uma espécie de pátio dos milagres de um grande monumento azteca, feito com carne e polpa de miséria humana. Conheço poucos livros tão carregados de sofrimento, poucos em que o horror esteja pintado com tanto gênio, mas que ao mesmo tempo deixa lugar ao poético." Miguel Ángel Asturias Rosales (Cidade da Guatemala, 19 de Outubro de 1899 — Madrid, 9 de Junho de 1974) foi um escritor e diplomata guatemalteco. Em 1965 foi-lhe atribuído o Prêmio Lenin da Paz e em 1967 o Nobel de Literatura. Em sua célebre novela "O Senhor Presidente" (El señor Presidente - 1946), retrata um típico ditador latino-americano com cores grotescas e burlescas, trespassando um forte conteúdo ético e social em que a morte e a injustiça se encontram presentes.

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    Janaína Edwiges   picture
    Janaína Edwiges 02/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Um inocente de mal com o governo está pior do que se fosse culpado"

    O Senhor Presidente, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, foi inspirado no governo do ditador Manuel José Estrada Cabrera, presidente da Guatemala no período de 1898 e 1920, que marcou a infância e adolescência do escritor. Tendo como ponto de partida o assassinato de um militar próximo ao presidente, o livro reconstrói o funcionamento de uma sociedade totalmente subjugada ao autoritarismo. A história é permeada de prisões e eliminações de opositores políticos, abusos de autoridades, violência, confissões admitidas por meio de torturas, acusações e denúncias injustas, espionagens, emboscadas e corrupção, além de expor as desigualdades sociais criadas e perpetuadas neste sistema. Uma cena do livro me chamou muita atenção, sobre um fuzilamento, em que uma das personagens questiona como aquilo poderia acontecer, como poderia ser feito “por pessoas com “a mesma cor de pele, com o mesmo sotaque da voz, a mesma maneira de ver, de ouvir, de deitar, de levantar, de amar, de lavar o rosto, de comer, de rir, de andar, com as mesmas crenças e as mesmas dúvidas”” da vítima. Essa observação me fez refletir sobre as pessoas aparentemente comuns, que são capazes de empreender ações tão cruéis e violentas nos regimes autoritários. Um pequeno detalhe: o Auditor de Guerra, responsável pela condução de tantas atrocidades, também toca harmônio na igreja. A “”bondade e amor ao próximo”” dos cristãos é algo que nos impressiona tanto não é mesmo? Recomendo bastante a leitura deste livro, especialmente porque a narrativa é tão próxima do Brasil e de outros países latino-americanos, que têm histórias tristemente marcadas pela presença de ditaduras.

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