O senhor presidente (Coleção ¡Nosotros!) -

    Miguel Ángel Asturias

    Mundaréu
    2016
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9788568259139
    Português Brasileiro

    Seria apenas uma história de amor, com elementos típicos como paixão à primeira vista, inocência e inevitabilidade, redenção pelo amor, obstáculos no caminho. Contudo, nem o mais íntimo dos sentimentos escapa ao poder onipresente e desmedido do Presidente. Seria uma narrativa tradicional, não fossem a polifonia e as personagens inusitadas, a violência e a beleza grotesca das imagens, o ritmo frenético, a técnica literária de vanguarda associada à temática política. <i>O senhor presidente</i> é o desnudamento de um autoritarismo cruel que perpassa níveis e hábitos sociais, e que assumiu diversas faces na América Latina em diferentes momentos. Pelo que nos diz do passado e do presente, e pelas muitas reflexões que convida o leitor a fazer, uma obra magistral.

    Edições (6)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (7)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (37)Ver mais
    Janaína Edwiges   picture
    Janaína Edwiges 02/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Um inocente de mal com o governo está pior do que se fosse culpado"

    O Senhor Presidente, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, foi inspirado no governo do ditador Manuel José Estrada Cabrera, presidente da Guatemala no período de 1898 e 1920, que marcou a infância e adolescência do escritor. Tendo como ponto de partida o assassinato de um militar próximo ao presidente, o livro reconstrói o funcionamento de uma sociedade totalmente subjugada ao autoritarismo. A história é permeada de prisões e eliminações de opositores políticos, abusos de autoridades, violência, confissões admitidas por meio de torturas, acusações e denúncias injustas, espionagens, emboscadas e corrupção, além de expor as desigualdades sociais criadas e perpetuadas neste sistema. Uma cena do livro me chamou muita atenção, sobre um fuzilamento, em que uma das personagens questiona como aquilo poderia acontecer, como poderia ser feito “por pessoas com “a mesma cor de pele, com o mesmo sotaque da voz, a mesma maneira de ver, de ouvir, de deitar, de levantar, de amar, de lavar o rosto, de comer, de rir, de andar, com as mesmas crenças e as mesmas dúvidas”” da vítima. Essa observação me fez refletir sobre as pessoas aparentemente comuns, que são capazes de empreender ações tão cruéis e violentas nos regimes autoritários. Um pequeno detalhe: o Auditor de Guerra, responsável pela condução de tantas atrocidades, também toca harmônio na igreja. A “”bondade e amor ao próximo”” dos cristãos é algo que nos impressiona tanto não é mesmo? Recomendo bastante a leitura deste livro, especialmente porque a narrativa é tão próxima do Brasil e de outros países latino-americanos, que têm histórias tristemente marcadas pela presença de ditaduras.

    26 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 214
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%