O silêncio é o mais aclamado dos romances escritos por Shusaku Endo. É a história ficcional, mas baseada em fatos reais de um missionário idealista, o jesuíta português Sebastião Rodrigues. No fim da década de 1630, ele embarca para o Japão para ajudar os cristãos locais, brutalmente oprimidos, e descobrir a verdade sobre seu antigo mentor, um teólogo que, segundo os rumores, teria recusado o martírio glorioso e escolhido a apostasia. Rodrigues, depois de confrontado com a realidade da perseguição religiosa, tem, ele mesmo, de fazer uma escolha terrível: abandonar seu rebanho ou seu Deus. Publicado pela primeira vez em 1966 no Japão, O silêncio fez enorme sucesso, colocando o cristianismo em discussão, não só entre os japoneses como entre os próprios cristãos. O êxito mundial de O silêncio, assim como a força do seu enredo, motivou o renomado cineasta Martin Scorsese a escrever um prefácio para a obra, no qual expressa sua intenção de preparar uma adaptação cinematográfica. Oportunidade mais que adequada para mostrar que as questões levantadas por Endo, ainda hoje, estão presentes em todo o mundo.
O silêncio -
Shusaku Endo
Uma Visão do Autor Sobre a Fé Cristã.
O japonês Shusaku Endo pública pela primeira vez a sua obra em 1966, denominada "Silêncio". Silêncio se passa na época do Japão Feudal, no século XVII. Nesses tempos havia um esforço para unificar o Japão, que se encontrava nas mãos de vários senhores, chamados daimiôs. É nesse contexto que surge a perseguição ao cristianismo, fé que estava crescendo rapidamente no Japão, mas que por medo de influências estrangeiras foi acometida por uma grande perseguição por parte dos governantes japoneses. O autor, cristão de vertente católica, fez parte do pequeno número de japoneses que professam a fé cristã no Japão. Para se ter uma ideia, o número de cristãos atualmente no Japão é de apenas 1% em uma população de 126 milhões de pessoas. Como informo acima, houve um crescimento bastante rápido de conversões de japoneses nos primórdios do cristianismo no país. Mas após a proibição e perseguição violenta repleta de mártires no país, o cristianismo parou de crescer e se tem como resultado disso a situação atual do cristianismo no Japão. O autor, através de seu personagem Rodrigues, um padre português que se encontra diante do dilema de se apostatar ou não, vai expor a sua visão acerca desse tema de grande gravidade na fé cristã. Se o leitor não deseja saber se Rodrigues apostatou ou não, advirto que ele pare neste momento, leia a obra, e logo após, se assim quiser, continue a leitura. Rodrigues está diante de tal situação, situação essa que temos vários e vários exemplos de como proceder nas Escrituras. Para citar um exemplo, temos o seguinte texto dito por Jesus diante de seus ouvintes, que se encontra em Mateus10:33: "Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus". Então, mesmo o autor tendo grande conhecimento bíblico (o mesmo cita através de Rodrigues diversos textos das Escrituras na obra), ele faz com que seu personagem principal ceda à apostasia em nome do "amor" para com seu próximo. E aqui temos nesse final de obra toda aquela heresia bem presente nos dias de hoje que toma o "amor" de Cristo e esmaga com ele os demais ensinamentos como se não tivessem importância alguma. Podemos então dizer que a morte de Paulo, Estevão, Tiago e outros milhares de mártires cristãos foram em vão? Será que estavam enganados por seu orgulho e radicalismo religioso? Shusaku era um bom escritor. Mas infelizmente criou o seu próprio deus e a sua própria doutrina para seguir. Nada há de cristianismo em seu pensamento deturpado e perigoso à verdadeira fé cristã.
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